Ao todo, o país conta com cerca de 350 mil apicultores, a maioria deles agricultores familiares, sendo que 80 mil deles estão no Estado de São Paulo. O produtor Luiz Antônio Jacinto Ramos, de Pindamonhangaba, na região do Vale do Paraíba, trabalha há 30 anos no ramo. Em 2012, ele produziu oito toneladas de mel, o equivalente a 50 quilos por caixa.
– Este ano, a chuvarada está mais devagar, o que atrapalha porque, primeiro, lava o néctar das flores e, segundo, faz com que as abelhas não trabalhem, ficam dentro da caixa, aí a produção cai bastante – aponta o apicultor.
Livre de defensivos e produzido de maneira orgânica, o mel brasileiro tem forte demanda, tanto no mercado interno quanto no externo. Com isso, o desafio é aumentar a produção.
– Nós hoje temos um problema, um mercado interno consumidor e outro exterior pedindo [pelo mel]. Quer dizer, nós temos um impasse, das 45 mil, 50 mil toneladas de mel que produzimos, chegamos a exportar 25 mil. Hoje, estamos exportando 15 mil, 16 mil toneladas em função do câmbio. Se o câmbio estabilizar, vai aumentar a exportação, aumentando a exportação, temos a falta do mel – destaca o presidente da Associação Paulista de Apicultores Criadores de Abelhas Melificas Europeias (Apacame), Constantino Zara Filho.
Segundo ele, para que o mercado cresça e atenda as demandas, é preciso uma política para o setor.
– Às vezes o Ministério Público, por excesso de zelo, complica. Nós estamos agora em um processo de rotulagem, então é muito complicado, são muitas exigências. Queremos atender uma coisa que seja viável. Países exportadores, todos eles têm política apícola por trás. Você vê a China, ela dita o preço, a Argentina também. O Brasil está sempre apresentando mais dificuldade do que facilidades – acrescenta o apicultor Ramos.