O diretor da transportadora Fermac Cargo, de Campinas (SP), Alexandre Duarte, afirma que a demanda por frutas aumenta em todo final de ano, e que as cargas para países do mundo inteiro têm crescido em volume. No entanto, a capacidade logística nos aeroportos e estradas não acompanha o ritmo do comércio. A maioria das frutas exportadas, como manga e melão, por exemplo, são produzidas no Vale do São Francisco, região de onde partem poucos voos para o exterior.
– Hoje nós temos 90 toneladas de frutas prontas para embarque, mas apenas 47 toneladas podem ser despachadas no avião, significa que mais da metade vai deixar de embarcar por falta de disponibilidade na aeronave – explica o dirigente.
Ele ainda aponta que com a dificuldade, o custo do transporte aumenta, uma consequência que é repassada ao consumidor final, que recebe o produto mais caro e velho.
Mais de 90% dos embarques da transportadora são de frutas – 24 mil toneladas são embarcadas todos os anos.
Em outubro, a queda foi de 9% em relação ao mesmo período de 2011. Além da logística, a crise econômica mundial também contribuiu para a baixa no volume.
– Este ano, tivemos redução em todos os meses na relação com o ano passado. O acumulado do ano deve ter uma queda em torno de 15%. A Europa é uma grande importadora da fruta brasileira. Fanceses, portugueses, espanhóis e alemães compram muita fruta e eles estão em dificuldades financeiras há algum tempo, o que refletiu aqui neste ano – explica Duarte.
Além da falta de logística, outros problemas tornam a fruta brasileira mais cara que a de outros países. De acordo com o Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf), a competitividade está afetada.
– Oitenta por cento da nossa fruta vai para a Europa, que hoje é o bloco mais complicado economicamente. Eles estão com restrição financeira para adquirir frutas em um preço maior que o dos nossos concorrentes. Temos o México, que concorre diretamente com a gente. Também sofremos uma tributação muito alta e problemas logísticos. O custo de produção no Brasil vem aumentando: insumos, defensivos, mão de obra, tudo vêm encarecendo nosso produto – analisa o engenheiro agrônomo da entidade, Cloves Ribeiro.
Segundo dados da Secex e da Ibraf, de janeiro a novembro deste ano, o país embarcou 623 mil toneladas de frutas frescas, 1,87% a mais que em 2011, quando no mesmo período, foram exportadas 612 mil toneladas. O avanço, porém, poderia ter sido maior.
– A demanda existe, mas ela ainda está recuada. Além de todo esse problema interno, a gente tem problema com os benefícios tarifários, que já nos afeta porque nossos principais concorrentes têm tarifação melhor – observa Ribeiro.