
O secretário de Política Agrícola, André Nassar, do Ministério da Agricultura, afirmou que dos R$ 187,7 bilhões autorizados em crédito para o Plano Safra 2015/2016, 47% foram tomadas pelo setor produtivo. Segundo ele, o produtor tem tomado mais linhas de custeio do que as de comercialização. Com isso, 65% do programado para custeio foi liberado. Os números foram apresentados durante a divulgação do 6º Levantamento da Safra de Grãos 2015/2016 e, na visão do secretário, os dados mostram um desempenho positivo das linhas de financiamento.
“O produtor tem priorizado custeio no crédito rural no lugar de comercialização e parte desse crédito de comercialização tem sido atendida por linhas de juros livres”, explicou. Nassar argumentou que as linhas de comercialização têm juros mais elevados, mas, em compensação, são de curto prazo, de até três meses, o que teoricamente gera impacto menor no fluxo de caixa dos produtores. Ele argumentou, ainda, que a demanda por recursos para comercialização começa a partir de agora, quando se inicia a colheita de parte expressiva da produção.
Letras de Crédito
Nassar observou que as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) “começam a decolar”. Em fevereiro, elas acumularam R$ 3 bilhões em recursos liberados tendo esses títulos como funding. Segundo ele, os maiores tomadores de crédito em LCA foram para comercialização. Nassar também afirmou que os dados começam a indicar que há uma retomada na demanda por investimentos.
Os números apresentados por ele mostram que as liberações de custeio a juros controlados atingiram R$ 52 bilhões no acumulado de julho de 2015 a fevereiro de 2016, número 15,2% maior que o registrado no período anterior. As linhas de comercialização, também a juros controlados, caíram 11,6% nesse período de comparação, passando de R$ 13 bilhões para R$ 11,6 bilhões.
Somando as linhas de juros livres e controlados, de julho do ano passado até fevereiro de 2016, foram liberados R$ 87,8 bilhões. Desse total, R$ 57,9 bilhões foram para custeio, R$ 13,7 bilhões para comercialização e R$ 16,1 bilhões para investimento. Nassar aproveitou a ocasião para voltar a defender o programa de seguro rural, que tem sido alvo de críticas depois de perder quase metade do orçamento no último contingenciamento do governo federal.
Seguro rural
Apesar do volume menor de recursos do seguro rural, ele garantiu que será possível atende um número maior de produtores. Ele lembrou que o orçamento ideal para o programa seria R$ 1,1 bilhão. A ministra Kátia Abreu, que participou do evento, também defendeu o seguro. “Nós estamos otimistas na visão que o governo tem sobre o seguro e ele só não foi maior por um problema de caixa”, disse a ministra.