
A semana passada foi marcada por um comportamento mais estável do mercado do milho, com uma oferta interna elevada e demanda doméstica aquecida. O setor de etanol continuou sendo um suporte fundamental para os preços, absorvendo volumes significativos da produção.
O relatório Grainsights, da Grão Direto, aponta que em Mato Grosso a safrinha apresentou bons índices de produtividade, mas o mercado monitorou com atenção as chuvas irregulares em estados do Sudeste, o que trouxe certa sustentação aos preços regionais.
No cenário internacional, o milho acompanhou o sentimento de pressão vindo do avanço do plantio nos Estados Unidos e operou próximo da estabilidade. Com o clima colaborativo no cinturão produtor norte-americano, as expectativas de uma safra volumosa no território estadunidense fizeram com que as altas na Bolsa de Chicago não fossem significativas.
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“O cereal também sofreu influência da volatilidade do petróleo, dado que a queda na energia reduz a atratividade do biocombustível, impactando indiretamente as margens e a demanda global pelo grão”, destaca o relatório.
Assim, a semana finalizou com o milho spot em Chicago com leve alta de 0,22%. No Brasil, o contrato da B3 com mesma referência seguiu em direção contrária, fechando a R$ 66,01 por saca (-2,75%). Porém, a leve alta na bolsa não refletiu no mercado físico.
O que esperar do mercado do milho?
- Monitoramento de safra: com o mercado doméstico ditando o rumo dos preços sem muita dependência do mercado externo, o mercado de milho terá atualizações pela Conab esta semana. O mercado aguarda os números sobre o desenvolvimento da segunda safra, especialmente após o período de chuvas irregulares no Centro-Oeste e Sudeste em abril e início de maio. “A B3, junto ao mercado físico, devem reagir às novas divulgações. Em Chicago, o foco estará no relatório do USDA desta terça-feira (12). A expectativa é de que a produção global de milho seja revisada para cima, impulsionada por recuperações na Ucrânia e no próprio Brasil, compensando possíveis quebras na Argentina“, destaca o Grainsights.
- Plantio nos Estados Unidos: o mercado nos Estados Unidos entra em fase crítica em função do clima, com o ritmo do plantio no Corn Belt (Cinturão do Milho) ditando o humor dos investidores no país que é o maior produtor do cereal no mundo. As previsões de chuvas dentro da normalidade para maio favorecem o avanço das máquinas, mas qualquer atraso significativo por excesso de umidade em estados-chave será rapidamente precificado.
- Macroeconomia e oportunidades: a semana começa com expectativa por dados de inflação (IPCA), que serão divulgados na terça-feira (12), e servirão de baliza para as próximas decisões do Banco Central sobre a taxa Selic. O real continua surpreendendo com a entrada forte de capital estrangeiro, fazendo o câmbio se manter abaixo dos R$ 5,00 após uma semana de recuos. “A competitividade do agronegócio brasileiro permanece alta, com as exportações indo bem, mas o produtor deve lidar com a pressão dos custos logísticos e de energia que afetam a margem líquida”, conclui o relatório.