Desempenho comercial do setor de vinhos brasileiro cresce pouco no primeiro semestre de 2014

Desenvolvimento de 1,99% se deve às vendas de suco de uva pronto para consumo e espumantesCom a comercialização de 172,7 milhões de litros de vinhos, sucos e derivados, o setor vitivinícola brasileira encerrou a primeira metade do ano com resultado positivo de 1,99% na comparação com o mesmo período de 2013. Os desempenhos das categorias de produtos, entretanto, tiveram comportamentos comerciais distintos no mercado interno.

O somatório das vendas de vinhos de mesa, finos e espumantes registrou recuo de 5,98% frente ao mesmo período do ano passado; os vinhos de mesa tiveram queda, de 6,23%, com a venda de 89,6 milhões de litros, e o decréscimo dos vinhos finos foi de 5,79%, com 8,7 milhões de litros. Os espumantes estabilizaram as vendas com índice de 0,05%.

– A conjuntura econômica no Brasil não está favorável, e temos que lidar com as questões da resistência do consumidor em relação aos produtos nacionais e da baixa competitividade da cadeia nos custos de produção em relação aos importados – ponderou sobre vinhos finos o vice-presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e presidente da União Brasileira da Vitivinicultura (Uvibra), Dirceu Scottá.

Os indicadores positivos dentro do setor ficam por conta do suco de uva 100% pronto para consumo, que apresenta alta de 18,68% no período. As vendas dos espumantes moscatéis também tiveram crescimento de 17,17%. Categorizando por tipo de embalagem, a venda dos vinhos de mesa engarrafados ficou em patamar levemente superior ao primeiro semestre de 2013, com crescimento de 1,41%. Os 40,4 milhões de litros consumidos de janeiro a junho deste ano representaram 45% do total de vinhos de mesa comercializados no período.

• Cresce demanda mundial por vinho

– Fizemos um trabalho forte de projeção de imagem do vinho nacional, que pode ajudar na reação do segundo semestre – analisa o diretor executivo da Associação Gaúcha de Vinicultores (Agavi), Darci Dani.

Já Scottá defende a necessidade da criação de políticas estruturantes e que auxiliem na desoneração de custos para dar sustentabilidade à cadeia produtiva, principalmente em função do volume de vinhos de outros países que entraram no Brasil no período.

A importação de vinhos registrou alta de 14,11% no primeiro semestre, frente ao mesmo período do ano passado. No total, ingressaram 35,6 milhões de litros de rótulos estrangeiros. Os indicadores foram positivos apenas para os vinhos tranquilos, com crescimento de 15,36%. Os espumantes estrangeiros, por sua vez, recuaram 8,54%.

• Produtores de Vinhedo investem no cultivo de uvas para vinhos finos