Essa será a principal bandeira da ONG durante o evento. Porém, diante da decepção dos ambientalistas em relação ao rascunho do documento que servirá de base das negociações durante a conferência, conhecido como “draft zero”, as manifestações do Greenpeace serão realizadas em eventos paralelos, na Cúpula dos Povos, fora da agenda oficial.
O coordenador do Greenpeace para a Rio+20, Nilo D’Ávila, criticou a “falta de audácia” da Organização das Nações Unidas (ONU) e do governo brasileiro no sentido de construir um documento mais forte. A ONG diz preferir levar os debates “para o lado de fora” da conferência oficial.
– O “draft zero” é um zero mesmo – analisou. Para ele, “um documento que começa fraco, tende a terminar mais fraco ainda”.
O governo brasileiro defende o fortalecimento das fontes renováveis de energia na matriz internacional, informou o chefe do Departamento de Meio Ambiente do Itamaraty, embaixador André Corrêa do Lago.
O embaixador, que é o principal negociador do Brasil para a Rio+20, acredita que a sociedade civil tem como função cobrar metas sejam mais ambiciosas dos governos.
– Acho perfeitamente legítimo que ONGs, como o Greenpeace, se manifestem a favor de que sejam feitas mais coisas. É extremamente positivo.
Lago espera que a sociedade influencie as decisões que serão obtidas na Rio+20.
– Eu recebo com muita alegria que a sociedade civil queira mais do documento zero e faça todos os esforços possíveis para que o documento zero seja mais ambicioso. A função da sociedade civil é cobrar – lembrou.
D’Ávila defendeu a inclusão das mudanças climáticas entre os temas a serem debatidos na Rio+20, mas disse que o governo brasileiro parece “querer fugir da questão”. O embaixador esclareceu que existe diferença entre abordar a questão e negociar a mudança do clima. Segundo ele, as negociações sobre o clima têm o seu próprio ritmo e ocorrem dentro da ONU.
– Não tem sentido nenhum a Rio+20 abordar negociação de mudança do clima. Mas abordar os temas da mudança do clima, é claro que sim.
A participação do Greenpeace na Rio+20 será focada na Cúpula dos Povos, reunião que deverá ocorrer paralelamente, como contraponto às negociações formais. No período, o Greenpeace abrirá à visitação pública o seu mais novo navio, o Rainbow Warrior, cujos equipamentos reúnem o que existe de mais moderno em termos de eficiência energética, aproveitamento de combustíveis e telecomunicações.