De acordo com a economista Maria Carolina Rosa Gullo, a combinação do período de seca no Rio Grande do Sul e de chuvas em excesso em regiões que também fornecem hortifrutigranjeiros e grãos para o Sul é perigosa e pode acarretar em falta de alguns produtos.
Para o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios (Sindigêneros), Jorge Salvador, o aumento de preços ao consumidor final em razão da seca ainda não ocorreu em grande escala nos supermercados de Caxias do Sul, na região da Serra. O leite é um dos itens mais prejudicados pela estiagem já que Estado é um dos maiores produtores do país.
Na visão de Salvador, no hortifrutigranjeiros os efeitos são menores, pois boa parte dos agricultores já está estruturada com sistemas de irrigação e têm conseguido manter a oferta. O coordenador de mercado da Ceasa Serra, Gilnei Bogio, concorda e afirma que a seca no Estado não tem influenciado os preços do segmento até agora. No entanto, caso a situação se agrave, ele não descarta perdas, especialmente entre as variedades folhosas, o que impactaria os preços.
A dona de casa Terezinha Maria Antunes, 63 anos, já sente a diferença na tabela. Enquanto em dezembro ela costumava comprar por R$ 3,99 um quilo de músculo, agora a mesma carne não sai por menos de R$ 4,99. O leite desnatado que custava R$ 1,40 no mês passado agora está, em média, R$ 0,20 mais caro.
— Se tiver R$ 0,15, R$ 0,20 mais barato já dá uma diferença. A gente têm que se programar pois tem que pagar luz, telefone, remédio — enumera.