As bases do MIP são os conhecimentos sobre taxonomia, biologia e ecologia que subsidiam a identificação das pragas chaves e dos inimigos naturais, o seu monitoramento com base nas informações sobre seus níveis de controle e o manejo do agroecossistema, priorizando condições para o equilíbrio das plantas e o combate natural das pragas.
Conforme pesquisadores da Embrapa, quando o monitoramento indica que a densidade populacional atingiu o nível de dano econômico, a tomada de decisão pelo controle segue uma lógica que prioriza os controles cultural, biológico, comportamental, genético, varietal e, como última opção, o controle químico.
No caso do controle químico, são utilizados produtos seletivos em favor dos inimigos naturais e polinizadores, além da rotação de produtos por modos de ação e grupo químico, a fim de evitar a resistência. A ocorrência de recentes ameaças fitossanitárias, como a Helicoverpa armigera, comprova a eficácia do MIP e a necessidade de sua ampliação.
A Embrapa Agrobiologia fará demonstrações práticas de identificação de inimigos naturais e manejo conservativo de espécies, adubação verde utilizando plantas atrativas de inimigos naturais de pragas, compostagem 100% de material vegetal e o próprio Sistema Integrado de Produção Agrícola (SIPA).
– Será levado ao agricultor, de maneira interativa, tecnologias e conhecimentos facilmente aplicáveis a quaisquer situações. Serão seis áreas de plots – cravo, coentro, crotalária, feijão de porco, margaridão e um com plantas espontâneas, uma área na estufa para mudas de hortaliças e uma área para o composto 100% vegetal – explica Ana Cristina Garofolo, chefe-adjunta de Transferência de Tecnologia da Embrapa Agrobiologia.
Haverá momentos teóricos, nos quais serão disponibilizadas lupas e microscópios para exposição dos insetos. Além disso, em uma das tendas satélite será ministrado um pequeno curso sobre compostagem 100% vegetal e, em outra, será demonstrada a prática de identificação de inimigos naturais para controle biológico. Estes conhecimentos visam capacitar o agricultor a diferenciar os predadores das pragas da lavoura através das características morfológicas que eles apresentam.
Para complementar, pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente farão demonstrações de técnica de calibração de pulverizadores para aplicação de agrotóxicos, importante para o aumento da eficiência. Em um dia de campo serão explicadas as várias etapas da técnica, como seleção do alvo da aplicação, verificação de padrão de deposição, regulagem do pulverizador para melhorar a deposição e cálculo da quantidade de agrotóxico a ser colocada no tanque de pulverização. De acordo com o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, Aldemir Chaim, a falta de calibração dos pulverizadores pode resultar em perdas de agrotóxicos que ultrapassam 40%.
A 21ª Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação – Agrishow, ocorre em Ribeirão Preto (SP), de 28 de abril a 2 de maio.
Caravana Embrapa de alerta para ameaças fitossanitárias
Durante a 21ª Agrishow a Embrapa fará um balanço da Caravana, que iniciou em dezembro de 2013 e percorreu polos agrícolas importantes dos Cerrados Amazônicos, Mato Grosso, Bahia, Maranhão, Tocantins, Piauí, Goiás, Distrito Federal, Grande Dourados, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Alagoas e Sergipe.
O objetivo foi levar aos técnicos multiplicadores da extensão rural e de cooperativas, consultores independentes e de associações orientações sobre o manejo das principais ameaças fitossanitárias.
O destaque nessa primeira edição foi a Helicoverpa armigera. A previsão é que sejam implantadas, a partir de agora, Unidades de Referência Tecnológica (URT) do modelo MIP nas macrorregiões visitadas para uso na capacitação de extensionistas e produtores.
A Caravana foi realizada em parceria com Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja) e Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).