As novas variedades apresentam características que atendem tanto a demandas dos viticultores que trabalham com uvas de mesa, quanto daqueles que cultivam a fruta para a elaboração de sucos, explicam os pesquisadores que coordenam o Programa de Melhoramento Genético da Videira da Embrapa, Patricia Ritschel e João Dimas Garcia Maia.
A BRS Magna possui ampla adaptação climática e altos índices de açúcar e matéria corante, enquanto a BRS Vitória destaca-se pela ausência de sementes e pela tolerância ao míldio, a principal doença da videira no Brasil.
Para o próximo ano, estão planejados eventos de apresentação das novas cultivares em outras regiões nas quais elas são recomendadas. A BRS Vitória será lançada também em São Paulo, Minas Gerais e Vale do Submédio São Francisco, e a BRS Magna, na Serra Gaúcha, em São Paulo e no Vale do Submédio São Francisco.
As duas novas cultivares são resultantes do Programa de Melhoramento Genético da Videira, estabelecido em 1977, pela Embrapa Uva e Vinho. O programa visa o desenvolvimento e a criação de variedades de uva de qualidade, com boas características agronômicas, diferentes finalidades e ampla adaptação climática. Já foram lançadas 14 cultivares para mesa e elaboração de sucos e vinhos, que se adaptam bem às condições climáticas dos principais polos vitivinícolas do Brasil.
BRS Magna
A BRS Magna é uma cultivar de uva para suco, que tem como principal característica a ampla adaptação climática, podendo ser cultivada em regiões de clima temperado, como a Serra Gaúcha, ou tropical úmido, como Nova Mutum, em Mato Grosso. Tem um ciclo de produção de médio a precoce, o que possibilita a colheita de duas safras por ano em regiões tropicais. A nova cultivar apresenta um sabor aframboesado, uma coloração violácea intensa e um alto teor de açúcar – de 17 a 19º Brix -, podendo ser utilizada para a elaboração de sucos pura ou em conjunto com outras variedades.
BRS Vitória
A BRS Vitória é a primeira cultivar de uvas sem semente brasileira tolerante ao míldio, característica que garante uma produção mais sustentável, pela redução de aplicações de fungicidas. Preta, com sabor aframboesado, ela já foi testada nas regiões de São Paulo, Paraná, Minas Gerais e também no Vale do Submédio do São Francisco. É vigorosa, com ciclo precoce e elevada produtividade – entre 25 e 30 toneladas por hectare -, além de apresentar teor de açúcar acima de 19º Brix (podendo chegar a 23º Brix, em regiões tropicais).