Enquanto frota de caminhões cresce, asfalto piora nas estradas brasileiras

Qualidade do material usado na pavimentação das estradas contribui para o aumento dos buracosEnquanto a frota de caminhões cresce, a maior parte rodando com excesso de carga, a qualidade do pavimento está na contramão, em vez de melhorar para suportar o sobrepeso. Resíduo do refino do petróleo após a obtenção de produtos nobres como combustíveis e lubrificantes, o asfalto brasileiro é cada vez mais pobre, segundo os especialistas, o que contribui para o aumento dos buracos nas rodovias.

Nas últimas décadas, explica o professor Washington Núñez, pesquisador do Laboratório de Pavimentos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o refino do petróleo evoluiu, e os compostos químicos que conferiam melhor qualidade ao cimento asfáltico, como a flexibilidade para suportar peso, foram sendo cada vez mais absorvidos nas etapas anteriores.

– É como fazer queijo com leite desnatado – compara Núñez, destacando que o aumento do limite legal de carga dos caminhões é outro ingrediente do esfacelamento precoce das estradas.

A solução é recorrer à adição de polímeros como o asfalto borracha. Seria uma medida simples não fosse o aumento dos custos, uma barreira quando há limitações orçamentárias. Entre construir uma extensão menor mas com qualidade, ou quilômetros a mais, beneficiando um número maior de comunidades e eleitores – mesmo que em pouco tempo as rodovias fiquem esburacadas -, em regra é escolhida a segunda alternativa. Mas opção, ao longo do tempo, vai acarretar gastos maiores com a manutenção da rodovia, realimentando o círculo vicioso.

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