Nas últimas décadas, explica o professor Washington Núñez, pesquisador do Laboratório de Pavimentos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o refino do petróleo evoluiu, e os compostos químicos que conferiam melhor qualidade ao cimento asfáltico, como a flexibilidade para suportar peso, foram sendo cada vez mais absorvidos nas etapas anteriores.
– É como fazer queijo com leite desnatado – compara Núñez, destacando que o aumento do limite legal de carga dos caminhões é outro ingrediente do esfacelamento precoce das estradas.
A solução é recorrer à adição de polímeros como o asfalto borracha. Seria uma medida simples não fosse o aumento dos custos, uma barreira quando há limitações orçamentárias. Entre construir uma extensão menor mas com qualidade, ou quilômetros a mais, beneficiando um número maior de comunidades e eleitores – mesmo que em pouco tempo as rodovias fiquem esburacadas -, em regra é escolhida a segunda alternativa. Mas opção, ao longo do tempo, vai acarretar gastos maiores com a manutenção da rodovia, realimentando o círculo vicioso.