O escorregão das exportações em outubro

Mesmo com queda de 12,6% no acumulado do ano, ante o mesmo período de 2012, agronegócio continua sendo o setor que ajuda a salvar a economia brasileiraEm outubro o desempenho das exportações do agronegócio sofreu um escorregão em seu crescimento em relação ao mesmo período do ano passado. As exportações de US$ 8,4 bilhões tiveram uma queda de 12,6% se comparadas com o mesmo período de 2012 (US$ 9,6 bi). Por sua vez, o valor exportado acumulado no ano, de US$ 86,4 bilhões, aumentou 6,9% quando comparado com o mesmo período de 2012 (US$ 80,9 bilhões), contribuindo para um saldo positivo acumulado no ano de US$ 72,1 bilhões, 7,2% maior que o mesm

Permanecendo nesse ritmo, fecharíamos 2013 com um montante de US$ 104 bilhões, porém cabe ter a esperança de mais. No acumulado de janeiro-setembro de 2012 tivemos uma exportação de US$ 80,9 bi e fechamos 2012 com a incrível cifra de US$ 95,8 bilhões. Estamos acreditando agora que é possível chegar pelo menos nos US$ 105 bilhões.

Os demais produtos brasileiros, diferente do que vem mostrando ao longo do ano, apresentaram crescimento de 18,8% nas exportações em outubro  (de US$ 12,1 bi em 2012, para US$ 14,4 bi em 2013), porém suas importações também aumentaram em 15,6%. O escorregão nas exportações do agronegócio em outubro, somado ao aumento das exportações dos produtos fora deste setor, fez com que o agro tivesse uma participação nas exportações de 36,9% nas exportações totais brasileiras, número menor do que o registrado no mesmo período de 2012, quando essa participação era de 44,3%.

A balança comercial brasileira fechou o acumulado do ano negativa em 1,8 bilhões. Se se não fosse o agronegócio brasileiro, esse deficit seria de 74 bilhões. Ou seja, o Brasil que vai bem é o Brasil do agro e outubro é mais um mês em que este setor ajuda a salvar a economia brasileira.

Neste outubro, os 10 campeões no aumento das exportações em relação a 2012 foram respectivamente: soja em grãos (aumentou US$ 245,7 milhões em relação a outubro de 2012), celulose (US$ 89,3 milhões), carne bovina in natura (US$ 53,3 milhões), bovinos vivos (US$ 37,6 milhões), outros couros/ peles bovinos curtidos (US$ 32,6 milhões), óleo de soja bruto (US$ 21,1 milhões), arroz (US$ 20,9 milhões), couros/ peles de bovinos preparados (US$ 19,7 milhões), papel (US$ 17,8 milhões) e carne de frango industrializada (US$ 11,2 milhões).

Juntos, estes 10 grupos foram responsáveis por um aumento de aproximadamente US$ 549,3 milhões nas exportações de outubro. A variação dos preços médios (US$/tonelada) foram as seguintes: outros couros/ peles bovinos curtidos (22,8%), carne de frango industrializada (2,5%), celulose (2,1%), arroz (-1,3%), couros/ peles de bovinos preparados (-3,2%), papel (-4,8%), carne bovina in natura (-5,8), bovinos vivos (-5,9%), soja em grãos (13,8%) e óleo de soja em bruto (-24,1%).

Apenas três dos 10 produtos que mais aumentaram suas exportações tiveram aumento nos preços, enquanto os outros tiveram quedas consideráveis, o que mostra que o desempenho das exportações é fruto principalmente do aumento dos volumes exportados, da cotação do dólar – que estava nos patamares de R$ 2,30 -, e também da diversificação de produtos e mercados nas exportações.

Os 10 principais produtos que diminuíram as exportações e contribuíram negativamente para a meta foram: açúcar de cana em bruto (queda de US$ 725,3 milhões), algodão não cardado nem penteado (US$ 193,9 milhões), milho (180,7 milhões), açúcar refinado (US$ 174,2 milhões), farelo de soja (US$ 154,0 milhões), café verde (US$ 146,1 milhões), álcool etílico (US$ 145,8 milhões), carne de frango in natura (US$ 47,1 milhões), carne suína in natura (US$ 22,2 milhões) e óleo de soja refinado (US$ 12,6 milhões). Juntos, estes produtos contribuíram para uma redução na ordem de US$ 1,8 bilhão nas exportações, repercutindo os efeitos do incêndio nos terminais da Copersucar.

No cenário dos mercados de destino dos produtos do agro brasileiro, os 10 principais países que mais cresceram suas importações foram: China (US$ 267,7 milhões a mais que em outubro de 2012), França (US$ 74,1 milhões), Venezuela (US$ 68,0 milhões), Hong Kong (48,2 milhões), Vietnã (US$ 47,7 milhões), Espanha (US$ 47,1 milhões), Reino Unido (US$ 41,4 milhões), Jordânia (US$ 19,5 milhões), Indonésia (US$ 14,3 milhões) e Colômbia (US$ 14,1 milhões). Somados, estes dez países que mais cresceram foram responsáveis pelo aumento de US$ 1,51 bilhão nas exportações.

Mas o Brasil também perdeu vendas em alguns mercados, com destaque para Taiwan (US$ 187,8 milhões a menos que em outubro de 2012), Estados Unidos (US$ 160,1 milhões), Irã (US$ 130,6 milhões), Tailândia (US$ 113,5 milhões), Índia (US$ 112,7 milhões), Japão (US$ 100,1 milhões), Malásia (US$ 80,5 milhões), Canadá (US$ 64,2 milhões), Arábia Saudita (US$ 62,7 milhões) e Alemanha (US$ 56,3 milhões). Estes países foram responsáveis pela diminuição de US$ 1,1 bilhão nas exportações brasileiras em relação a outubro de 2012.

O acumulado do ano 2013 mostrou melhor desempenho que o mesmo período em 2012, com exportações crescentes do agronegócio em relação ao ano anterior. Já o mês de outubro apresentou pior desempenho que o mesmo período de 2013. Nota-se, assim como no ano passado todo e ao longo deste ano, uma diversificação nos mercados de destino das exportações – os países da Ásia e Oriente Médio, principalmente, vêm ganhando maior participação na pauta brasileira.

Mas o país também continuou perdendo importantes mercados ao longo do ano. Apesar de se manterem como os maiores importadores brasileiros, eles diminuíram muito suas importações, principalmente os Estados Unidos e a Alemanha. Produtos importantes, que mantém um bom desempenho e estão entre os 10 mais exportados, foram os que neste outubro mais apresentaram queda quando comparados com outubro de 2012. É o caso principalmente do açúcar, do etanol e do milho. Por outro lado, outros produtos aumentaram suas exportações.

Enfim, o país está buscando e conseguindo uma pauta cada vez mais diversificada, o que tem promovido maior segurança e aumentos nas exportações. O ano de 2013 continua quente para as exportações brasileira do agronegócio, apesar do escorregão de outubro. Vamos esperar o desempenho dos próximos meses, mas estamos confiantes que atingiremos os 100 bilhões.