Segundo Sylvia Wachsner, embora contribua para a proteção do meio ambiente, do solo e da água, a agricultura orgânica ainda mostra deficiências que precisam ser superadas sem demora.
– Ainda falta escala. Há problemas sérios de logística. Ainda precisa de tecnologia voltada para o setor, não há sementes em quantidade suficiente – diz.
Para a coordenadora, é fundamental que os pequenos produtores se unam para ter mais força de negociação no mercado. Mesmo em países desenvolvidos, como a Alemanha, a agricultura orgânica apresenta pequena participação: cerca de 3% da área total disponível para plantio, relatou. Ela ressaltou que, no Brasil, existe apenas 1,5 milhão de hectares certificados como orgânicos.
– Temos muito que trabalhar – assegurou.
A partir de estudos feitos nas regiões serrana e centro-sul do Rio de Janeiro, o CI Orgânicos mapeou a existência de 106 produtores que trabalham com esse tipo de agricultura no Rio de Janeiro.
Sylvia Wachsner disse que é preciso apoiar os agricultores a fazerem estudos técnicos do solo para que possam melhorar a produção. Segundo ela, a maioria dos agricultores orgânicos não possui a Declaração de Aptidão para Agricultura Familiar (DAP).
– DAP significa a venda de alimentos da agricultura familiar e orgânicos para a merenda escolar – observou.
De acordo com a especialista, o grande problema da agricultura orgânica e familiar é similar ao das empresas agrícolas maiores.
– É a questão da logística, da comunicação. Em muitas partes do Rio de Janeiro, não entra a banda larga, os telefones celulares não funcionam. O produtor tem um sério problema para chegar com sua mercadoria nos mercados, sejam eles municipais ou o grande varejo. É preciso trabalhar isso.
>>> Confira o site especial sobre a Rio+20