Especialistas discutem formas de preservar recursos genéticos para a agricultura

Pesquisadores apontam que conservação destes recursos genéticos tem relação direta com a competitividade do agronegócio brasileiroO Brasil é um dos países com maior biodiversidade mundial, mas não conhecemos o real valor de cada uma das nossas muitas centenas de espécies vegetais. E mais: mesmo aquelas que conhecemos, como o pinheiro do Paraná, correm o risco de desaparecer antes que tenhamos conhecido todo seu potencial. Esse é o tema do Encontro Paranaense de Recursos Genéticos, que terminou nesta sexta, dia 06, em Londrina (PR).

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O evento reuniu profissionais de diversas instituições para levantar o que está sendo feito no Brasil para conservação dos recursos genéticos disponíveis. O coordenador do encontro e pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Clandio Medeiros da Silva, diz que a ideia é formar uma rede de profissionais que possam realizar um mapeamento sobre os recursos genéticos disponíveis hoje no Brasil, e especialmente no Paraná, para a partir daí saber o que precisa ser feito para garantir a conservação.

– O futuro da humanidade vai depender muito do que o homem preserva. A alimentação humana é baseada nos recursos vegetais. Se não forem preservados e identificados e reconhecidos em sua potencialidade, sentiremos falta no futuro – alerta o pesquisador.

Para a agricultura, o trabalho é de extrema relevância. O agricultor tem papel importante na preservação de espécies. O que a pesquisa pretende é valorizar ainda mais este trabalho e identificar o valor alimentício de cada espécie preservada.

– É praticamente impossível a pesquisa desenvolver novos materiais, novas sementes, por exemplo, se as bases não forem preservadas. Elas são fontes de genes e de variabilidade genética, que são muito importantes para os atuais materiais que hoje são desenvolvidos pela pesquisa – diz o especialista.

Ele também alerta que a preservação dos recursos genéticos tem relação direta também com a competitividade do agronegócio brasileiro no mundo.

– O Brasil hoje tem uma responsabilidade grande. Ele detém uma grande biodiversidade genética, mas que é pouco conhecida. Por isso a nossa intenção é caracterizar, conhecer, valorizar e incentivar que se proteja – conclui o coordenador do encontro.

Araucária, riqueza da biodiversidade, ameaçada de extinção

Um levantamento feito pela Fundação de Pesquisas Florestais do Paraná (Fupef) em 2001 mostra que no Estado do Paraná restam apenas 0,8% de cobertura original de araucária, também conhecida como pinheiro do Paraná. Para a pesquisadora da Embrapa Florestas Valderes de Sousa, de Colombo (PR), a situação é preocupante porque deixamos de conhecer um material genético rico para a pesquisa.

– É necessário agora fazer vários estudos para se descobrir o que sobrou dos remanescentes diz a pesquisadora.

A araucária é nativa dos Estados do Sul do Brasil, mas existem plantações também no Sudeste e Centro-Oeste. Calcula-se que existam 250 mil metros quadrados de produção de araucárias no Brasil. A planta tem potencial de uso social e comercial. Desde o inicio de sua exploração, ela tem sido usada para a produção de madeira, a alimentação humana e animal e até mesmo como fonte de combustível, com a queima de nós e galhos.

A pesquisadora aponta que a araucária tem uma infinidade de aplicações e, por sua importância, se justifica um estudo maior e o incentivo a produção e a preservação.

– A conservação pelo uso é um caminho, porque poderíamos envolver os próprios agricultores, que têm os remanescentes. Outra possibilidade é fazer programas cooperativos de produção, de forma a produzir material melhorado pra cada região – conclui a especialista.