Especialistas indicam meios de ampliar índice de saneamento básico em propriedades rurais

Pesquisadores da Unicamp desenvolveram sistema de tratamento que pode ser aplicado a fazendas com baixo custoEspecialistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) estudam formas de ampliar o nível de saneamento básico nas propriedades rurais. Eles apontam que, apesar de mais 70% das fazendas não possuírem estrutura adequada, a solução pode ser simples e de baixo custo. Pesquisadores e estudantes se reuniram nesta terça, dia 4, na universidade, para debater a questão e, de acordo com o professor Adriano Luz Tonetti, integrante da iniciativa, alternativas já foram encontradas. - O Brasil é um país

Para o pesquisador Cícero Onofre de Andrade Neto, que ajudou a elaborar o Plano Nacional de Saneamento Básico, o Brasil tem tecnologia de sobra na área de controle sanitário ambiental. Ele aponta ser necessária uma política pública específica para a aplicação desta tecnologia na cidade e no campo.    

– A tecnologia que é aplicada em pequena escala pode ser aplicada em grande escala. E quase sempre também é possível aproveitar seus princípios de uma forma geral, em qualquer situação – diz.

A engenheira agrônoma Vera Lúcia Palla cita o exemplo de um projeto de fossas sépticas desenvolvido pela Embrapa, que custa aproximadamente R$ 1,2 mil para o produtor. O sistema, de acordo com a profissional, funciona com a instalação de três caixas, onde é feito o processo de limpeza dos resíduos. No final, o material pode ser utilizado como biofertilizante. Vera relata que duas mil fossas já foram instaladas em propriedades rurais no Estado de São Paulo. Ela considera o número insuficiente.

– Precisaria de mais, porque toda a propriedade rural onde nós temos uma casa habitada deveria ter a fossa instalada. O que mais precisa são recursos econômicos, como incentivo ao produtor rural para que ele faça – argumenta.

Na Unicamp, uma experiência bem sucedida é apresentada como exemplo. Por meio de uma estação de tratamento de efluentes, a água usada para regar roseiras oferece aumento da produtividade das plantas sem a necessidade de aplicação de fertilizantes. O pesquisador Luccas Marinho explica que o procedimento obedece a rigorosos padrões de qualidade.

– O que a gente mais tem nos efluentes é o nitrogênio. Este é o nutriente que as plantas mais necessitam na hora da sua produção.

Conforme Marinho, o objetivo é fazer com que a experiência seja aplicada no campo.

– O próximo passo seria fazer a transferência da tecnologia que a gente conseguiu aqui na Unicamp com a fazenda, para que possam implementar o sistema.