>> Mercado de flores brasileiro deve crescer apenas 10% em 2014
O produtor Roel Op Den Kelder tem uma propriedade de 45 hectares de amarílis, uma flor que se desenvolve bem no sol. Mas o forte calor dos últimos meses queimou as flores e a planta não consegue se desenvolver. Por falta de chuva, o produtor calcula uma perda de no mínimo 15% da produção.
– Ficamos olhando, a cada dia, para o céu, esperando, torcendo para são pedro abastecer nosso estoque de água. Porque estamos usando nosso estoque de inverno já – afirmou Kelder.
Segundo o Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), os produtores que possuem produção em campo aberto já contabilizaram 50% de perdas.
– Se não voltar a chover uma quantidade grande de água nos próximos dois meses, nós vamos ter problema para agosto, setembro – relata o presidente da Ibraflor, Kees Schoenmaker.
Deixar as flores longe do sol foi a saída encontrada pelo produtor Geraldo Reijers. Ele produz, em estufa, a rosa spray – um estilo de rosas pequenas e sensíveis aos raios solares. Além disso, o produtor capta a água da chuva para irrigar as flores, que mesmo assim, sofrem com o forte calor.
Um açude abastece a propriedade de Reijers e de outros quatro grandes produtores da região de Holambra. De janeiro até agora, a água diminuiu cerca de três metros. Segundo os produtores, o que é suficiente para no máximo dois meses.
– Na verdade, essa é a grande preocupação. Hoje deveria estar chovendo e criando as reservas para podermos enfrentar o inverno, que normalmente não chove. Hoje nós estamos consumindo nossas reservas e se não chover, em dois meses, vamos ficar sem água nas nossas plantações – disse Reijers.
A região possui cerca de 400 produtores de flores. E 40% de tudo o que é produzido no Estado de São Paulo vem de lá. Para evitar a quebra, o presidente do Ibraflor afirma que o agricultor precisa investir na captação da água da chuva, quando chove, e em estufas, já que o calor tem aumentado ano a ano.
– Quem vai se diferenciar é aquele que investiu, que está estocando a água das estufas, água represada, que tem alternativa. Quanto mais investimento fez, melhor a situação. Esses vão ganhar dinheiro. Porque quando falta o produto, o preço aumenta – afirmou Schoenmaker.