Em Santo Antônio de Posse (SP), basta olhar para alguns pés de limão com galhos secos e quase sem fruto, para perceber os estragos da seca. Com 10 mil pés e 20 anos de dedicação à cultura, o produtor Messias Brandão viu a rotina na lavoura mudar desde o ano passado.
– Todo o dia você colhia um pouco, com essa estiagem, esse mês, mesmo, acho que nem vou colher limão. Tem que esperar, porque ele demora a crescer. O mercado não aceita limão muito miúdo. A gente tem um calibrador, para ter uma noção do tamanho que o mercado aceita. Se eu mandar muito maior, o mercado também não aceita. Tem um padrão para você mandar para o mercado – conta o produtor.
A seca esvaziou o reservatório de onde Brandão puxava a água para pulverizar as plantas. Hoje, ele precisa comprar o recurso para nutrir e proteger os pés de limão. Os mais antigos já perderam a resistência. A principal praga que atingiu o plantio da região é a camurça, um fungo que debilita a planta, ressecando os galhos. Para evitar novas pragas, os pés mais novos recebem atenção redobrada.
– A meta da gente é trabalhar em cima de produtos mais naturais e mais orgânicos, daí a gente tem uma possibilidade de que a planta fique com autodefesa – diz.
Enquanto a chuva não chega, nada de lucro. Os gastos com água e insumos estão praticamente iguais ao valor pago pela indústria.
– A indústria paga R$ 6 a caixa. Aí não vira nada. Só a colheita fica em R$ 4. Para vender nesse preço, é prejuízo, está difícil tocar. Tem que esperar chover e ver se a gente aumenta a produção, para todo mês ter uma colheita boa – afirma Brandão.