Estoque de eucaliptos seria suficiente para a ampliação da Celulose Riograndense

Direção da empresa afirma que obra na fábrica não deve implicar em mais plantações, mas ambientalistas estão preocupadosO aumento na produção da Celulose Riograndense, anunciado na quinta, dia 6, com a promessa de R$ 5 bilhões em investimentos até 2015, não deve resultar na expansão das florestas de eucalipto para abastecer a fábrica.

A direção da empresa garantiu dispor de matéria-prima suficiente para processar 1,8 milhão de toneladas por ano – quatro vezes mais que agora.

Ao anunciar a ampliação da indústria na cidade de Guaíba, no Rio Grande do Sul, a Celulose Riograndense destravou empreendimentos paralisados desde a crise de 2008. Por uma questão matemática, imaginava-se que mais produção significaria mais plantação de eucalipto. No entanto, o gerente florestal da empresa, Renato Rostirolla, afirma que os 125 mil hectares atuais bastam. Além disso, há uma reserva de 37 mil hectares, comprados da Votorantim Celulose e Papel (VCP), no sul do Estado.

– A nossa base florestal está consolidada. Ficamos autossuficientes – assegura Rostirolla.

Sob controle da chilena CMPC, que comprou a indústria da Aracruz Celulose em 2009, a planta de Guaíba já encaminha a ampliação. O diretor-presidente da empresa no Brasil, Walter Lídio Nunes, disse que a compra de turbogeradores de energia elétrica deve ser providenciada antes do Natal.

O movimento da Celulose Riograndense parece isolado. Ontem, o diretor florestal da Stora Enso para a América Latina, João Borges, informou que “não há definições” sobre planos futuros. Disse que a multinacional “está zelando” pelas lavouras de eucalipto já plantadas na fronteira oeste gaúcha, sem avanços desde 2009.

A retomada da produção de celulose animou o setor. O presidente da Associação Gaúcha de Empresas Florestais (Ageflor), Leonel Menezes, lembra que havia um excedente de eucalipto com o recuo da VCP e a reavaliação de planos da Stora Enso.

– Ocorrerá um enxugamento do excedente de matéria-prima.

Os ambientalistas, no entanto, estão apreensivos. O coordenador do grupo Os Verdes em Tapes, Júlio Wandam, teme que agricultores comecem a plantar eucalipto, sem licenciamento e em áreas de preservação, na expectativa de abastecer a Celulose Riograndense.

– Já temos plantações afetando áreas de preservação e banhados – denuncia Wandam.

O biólogo e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Paulo Brack, alerta que a ocupação de campos nativos por florestas exóticas pode liquidar o pampa – bioma desprotegido e com raras áreas de preservação. Integrante do Grupo Ingá (organização não governamental), Brack entende ser arriscado apostar num megaempreendimento como o da celulose, pela dependência que a monocultura provoca.