Pesquisa de uma universidade do Rio Grande do Sul pretende entender comportamento das pragas para indicar melhores formas de controle
Sebastião Garcia, de Rio Grande do Sul
O excesso de chuvas que atingem o Mato Grosso, desde o fim do ano passado, tem preocupado os produtores do estado. Este problema além de atrasar a colheita da soja pronta, tem favorecido o surgimento de uma praga de difícil controle, os percevejos. O mercado apresenta poucas e caras soluções para o problema, mas ao que tudo indica existe uma luz no fim do túnel e a economia e efetividade serão grandes.
Pesquisadores da Universidade de Cruz Alta (Unicruz), no Rio Grande do Sul, estão fazendo um estudo sobre o comportamento dos percevejos nas lavouras de soja. Este estudo pretende identificar a quantidade dos insetos e também indicar as formas de controle, que pode gerar uma economia de até 70% com o uso de defensivos.
Em uma área experimental na Unicruz acontece uma importante pesquisa para a sojicultura brasileira. Coordenada pelo pesquisador Mauricio Pasini, o estudo pretende descobrir como se comportam os percevejos, principalmente o marrom e o barriga verde. O estudo leva em consideração as condições do Sul do país. A primeira descoberta é que no inverno, estas pragas se escondem em plantas, como a bromélia conhecida como Gravatá ou o Capim coqueirinho, que ficam próximas as lavouras e no verão migram para as lavouras próximas. “Estas plantas são uma fonte de reinfestação para a área de cultivo”, comenta Pasini.
Depois de identificar o comportamento dos percevejos, os pesquisadores querem saber quantos percevejos, dos até 300 que se que hospedam em cada uma destas plantas, migram para a lavoura. Quantos descendentes surgem. E que problemas irão gerar. A partir daí eles a ideia é orientar os produtores sobre métodos para o controle. Esse conjunto de informações pode reduzir os custos com aplicação de inseticidas em até 70%. “Tendo este conhecimento, com certeza poderemos propor estratégias de manejo localizadas. Desde a redução de custos, até a diminuição do impacto ambiental. São muitos os benefícios que poderemos trazer para o agricultor”, diz o pesquisador.
Esta pesquisa, iniciada há três anos, deve ser concluída só em 2020, mas segundo o presidente da Associação dos Produtores de Soja do Rio Grande do Sul (Aprosoja-RS), Luis Fernando Fuchs este estudo já representa um bom avanço. “Existem coisas que podem ser feitas na fazenda que não envolve custos, mas simplesmente a ação, com o manejo certo. Com boas práticas talvez em um futuro podemos esperar uma redução drástica de custos e uma elevação do nosso potencial de produção”, comenta Fucks.
Na propriedade de Mauricio de Bortoli o principal negócio é a produção de sementes de soja, então mais importante que a produtividade, é a qualidade do grão. Os percevejos além de elevar em até 75% os custos com agroquímicos, reduzem a qualidade atrapalhando a comercialização. “Na cultura da soja, o percevejo gera um dano bastante expressivo da floração em diante, atacando principalmente os grãos. Ele fura a vagem e acaba sugando deste grão todos os nutrientes”, diz Bortoli.
Para combater a praga, o produtor (que também é engenheiro agrônomo) já fez duas aplicações com agroquímicos nesta safra. Estudos mostram que o aceitável é encontrar até um inseto por metro quadrado. Nas lavouras dele a relação tem sido de 0,3 por metro quadrado. O monitoramento é feito duas vezes por semana. Mas, mesmo assim, ele fará ainda outras duas aplicações até o final do ciclo. “Acredito que toda a tecnologia que visa a diminuição do uso de agroquímicos na lavoura de soja, tem um impacto positivo no meio ambiente ambiental, e isso é muito bom”, diz.
