Mantida pela Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), a organização, até então presidida por Antonio Mello Alvarenga, possui um papel estratégico para o agronegócio, com o objetivo de debater políticas relacionadas ao meio ambiente e à pesquisa para o setor. Segundo a FGV, Rodrigues quer que a entidade se torne um ambiente acadêmico de discussões, principalmente em relação a temas que hoje são considerados ameaças.
– A Academia Nacional de Agricultura é um fórum onde se encontram os principais pensadores e líderes do setor rural brasileiro, e no qual debates, trocas de ideias e de experiências permitem a consolidação de projetos e propostas de políticas públicas e/ou ações privadas que beneficiem o país a partir da agropecuária moderna e competitiva – ressaltou Rodrigues, que presidiu o Ministério da Agricultura no mandato Lula, de 2003 a 2006.
Em entrevista à Agência Brasil, o professor afirmou que pretende transformar a entidade em um “chapéu pensador do agronegócio brasileiro”, discutindo os temas relevantes, “mas não mais na linha do diagnóstico”.
Ele destacou que o agronegócio tem sido responsável por garantir o saldo comercial positivo internacional do Brasil, além do próprio crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e a geração de empregos.
– É um setor dinâmico, com uma série de gargalos que nós precisamos resolver de maneira positiva, construtiva.
Ele explicou que deseja encontrar soluções que sejam factíveis para cada gargalo, tanto do ponto de vista das políticas públicas, como do setor privado. O objetivo é elaborar planos e propostas concretas que possam ajudar o governo, o Legislativo e o Judiciário a entender melhor o setor e a encontrar caminhos que levem ao desenvolvimento da agricultura nacional.
O ex-ministro enfatizou que o estabelecimento de uma política de renda no meio agrícola seria essencial para o país, do mesmo modo que a instalação definitiva do seguro rural, mas destacou que isso implica em mecanismos de ação pública e privada.
– A ideia é trabalhar esses mecanismos a partir da academia e buscar uma costura, ou seja, um entendimento entre o setor público e o privado, para evoluir para um seguro rural digno desse nome, como existe nos países desenvolvidos – afirmou à Agência Brasil.
Comércio exterior
Na área do comércio exterior, Rodrigues disse que o Brasil tem sua maior pauta de exportações de commodities (produtos agrícolas e minerais comercializados no mercado internacional) “porque o comprador, lá fora, quer comprar matérias-primas para agregar valor lá. Da mesma forma que eu quero agregar valor aqui”.
A negociação entre compradores e vendedores passa, segundo argumentou, por uma postura diplomática. Na sua opinião, a realização de acordos internacionais que permitam agregar valor de forma paulatina aos produtos brasileiros poderia ser uma solução muito bem-vinda, “para não criar problemas nem para nós, nem para eles [compradores]”.
Outro tema que Rodrigues destacou na entrevista são os acordos bilaterais.
– O Brasil não tem acordo bilateral com nenhum país.
Segundo ele, esse é um capítulo pelo qual já passa hoje a terça parte do comércio mundial. Na presidência da Academia Nacional de Agricultura, Rodrigues pretende criar um diálogo com o Itamaraty para “buscar essa linha de agregação de valor, sem destruir mercados”.
Logística
No âmbito interno, a infraestrutura logística é apontada como principal gargalo a ser combatido. O político destacou que a Empresa de Planejamento Logístico (EPL) tem, atualmente, um “plano espetacular” para a logística brasileira, englobando as áreas de ferrovias, rodovias, portos, hidrovias, entre outras.
– O projeto é muito bom. O problema é transformá-lo em realidade.
Para ele, a questão passa pelo estabelecimento de parcerias e concessões que o governo fará a empresas privadas. O ex-ministro reconheceu que esse processo demandará muita negociação, porque envolve licenças ambientais, burocracia e outros procedimentos que vão tornar mais lenta a construção dos projetos programados pela EPL.
A cerimônia de posse foi realizada no fim da tarde na sede da Sociedade Nacional de Agricultura, no Rio de Janeiro. Segundo a SNA, já fazem parte da academia personalidades como Marcus Vinícius Pratini de Moraes, Antonio Delfim Netto, Pierre Landolt, Jório Dauster, João Carlos Meirelles, Ibsen de Gusmão Câmara, Rubens Ricupero, Israel Klabin e Fábio de Salles Meirelles, entre outros. O ex-ministro da Agricultura Luis Carlos Guedes Pinto, diretor-geral de seguro rural do Grupo Segurador Banco do Brasil e Mapfre, também assumirá uma cadeira na academia.