No ano passado, as vendas do produto para o mercado externo alcançaram 581,477 mil toneladas. A projeção é diferente da divulgada no final do ano passaado, que previa um crescimento para um volume de 600 a 650 mil toneladas. Isso porque o setor não contava com o embargo imposto pela Ucrânia, que está em vigor desde março.
A restrição foi sanitária. Os ucranianos alegaram que o produto brasileiro estava chegando ao país com a bactéria Listeria monocytogenes. Até abril deste ano, o volume exportado foi de 156,035 mil toneladas, uma queda de 9% na comparação com as 171,466 mil no mesmo período de 2012. Comparando abril de 2013 com o mesmo mês do ano passado, o recuo de volume foi de 25,38%. Apesar disso, segundo Jurandi Machado, a expectativa é positiva:
– Esperamos que em junho o embargo seja revertido e voltaremos a vender ao mercado.
A missão das autoridades ucranianas no mês passado transcorreu bem, segundo a Associação da Indústria Produtora e Exportadora do segmento, mas o país ainda não deu a resposta favorável ao Brasil por processos burocráticos. Segundo Jurandi Machado, o responsável pela assinatura dos documentos está de férias.
Um dos aspectos que sustentam a projeção para este ano é a volta à normalidade das vendas para a Argentina, lembra Jurandi Machado.
– Fechamos a cota para 3 mil toneladas/mês e já estamos perto, maio já está sendo bom. Só que é um país instável: nunca sabemos o que pode ocorrer. Eles nunca formalizam o que prometem, só falam e contamos com o cumprimento da palavra deles. Mas independentemente de Ucrânia e Argentina, as vendas no segundo semestre, tanto no mercado externo quanto interno, tendem a melhorar.
Com relação ao Japão, Machado alega que a demora na liberação nos embarques é normal, porque o prazo do processo burocrático no país é tradicionalmente lento. O diretor da Abipecs também acredita que em junho o mercado anunciará as empresas que serão autorizadas a vender ao país.
Com a expectativa de aumentar a demanda pela carne suína no exterior e no mercado interno, Machado espera que as margens da indústria e dos produtores do setor melhorem a partir do segundo semestre. E segundo o dirigente da Abipecs, também influenciará nisso, a queda recente dos preços do milho.
– Hoje o suíno abatido e processado ainda tem um custo elevado. O efeito benéfico da queda das cotações do milho vai ser observado somente a partir do segundo semestre.
Segundo ele, entre novembro de 2012 e janeiro de 2013, a saca do milho era adquirida por R$ 30. Hoje já se compra o insumo por R$ 26 a saca e a tendência é de continuar o movimento de queda, por causa da produção recorde do cereal de segunda safra.