Por meio de nota, a Faesp informou que o setor industrial “preferiu agir de modo desrespeitoso e desleal ao assinar o estatuto do Consecitrus com outra entidade, na calada da noite”. A criação do Consecitrus para estabelecer novas políticas e diretrizes para a cadeia produtiva de citros foi assinada na noite da última quarta, dia 18, entre a indústria e a Sociedade Rural Brasileira (SRB), após o descontentamento de ambas com a posição da Faesp.
A entidade de produtores exigia uma representatividade no conselho superior à da SRB e não aceitou o ex-secretário de Agricultura de São Paulo João Sampaio como executivo do Consecitrus. A Faesp informou, no documento, ter defendido que a nomeação fosse realizada após a análise do estatuto do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Também disse não ter aceito o condicionamento da indústria à indicação de Sampaio para que o estatuto fosse assinado devido ao fato de que ele é ligado à CitrusBR.
“O posicionamento desta Casa se justifica pelas informações recebidas de nossa representativa base de Sindicatos Rurais de que Sampaio, ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), mantém contrato de prestação de serviço com a CitrusBR, entidade que, por sua vez, teria se associado à SRB, em flagrante conflito de interesses e representação”, acusou. “A estratégia adotada pelo setor industrial foi a de assinar o Consecitrus a qualquer custo, com qualquer entidade, independentemente de representatividade na área de citricultura”.
O presidente da CitrusBR, Christian Lohbauer, defendeu Sampaio e rebateu a posição da Faesp, com críticas ao posicionamento da entidade e ao seu presidente, Fábio Meirelles. “João foi iniciador do processo ainda na condição de secretário de Agricultura, em comum acordo com todas as entidades dos produtores; ele tem prestígio que o senhor Meirelles deixou de ter há muito tempo”, disse Lohbauer.
O executivo admitiu ter contrato com Sampaio de consultoria, prática que o ex-secretário adotou após sair do cargo, em maio do ano passado e passar por uma quarentena. “A Faesp sabia disso, estava na mesa de negociação e nunca questionou”, disse.
Sobre a exclusão da Faesp e a inclusão da SRB no Consecitrus, e ainda sobre a afirmação de que o documento foi assinado “na calada da noite”, Lohbauer ironizou. “Quando a Faesp tirou a SRB e vetou o Sampaio também foi à noite. Se isso fosse problema, poderíamos ter assinado durante a tarde”.