Falta mão de obra no setor vitivinícola gaúcho

Pesquisa encomendada pelo Ibravin também mostra resistência à contratação de financiamentosUma das principais problemas enfrentados pelo setor vitivinícola é a carência de mão de obra qualificada. É o que mostra um estudo encomendado pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e realizado pela Universidade de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. O estudo mostra que as empresas apresentam idade média de 26 anos e 86% delas têm até nove funcionários.

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Como forma de driblar a falta de mão de obra especializada, a opção da vinícola Don Giovanni, por exemplo, adotou máquinas. A empresa de Pinto Bandeira, na Serra Gaúcha, possui 23 funcionários, mas apenas oito deles trabalham no campo. Para manter um número mínimo de trabalhadores, o proprietário Ayrton Giovanni oferece moradia na propriedade. Mas, para ele, o problema está nos altos encargos tributários, que impedem o crescimento da produção agrícola.

– O governo tributa a intenção de produzir. Eu não posso tributar a semente, porque ela parada não vai produzir nada, eu tenho que plantar pra ela produzir alguma coisa. Eu não entendo por que a semente é tributada, por que a máquina que vai me facilitar um trabalho é tributada! Essas duas máquinas que compramos são 50% tributos. Se não tivesse esse custo, as pequenas vinícolas poderiam se equipar e ter menos gargalo da mão de obra – diz Giovanni.

Para o vice-presidente da Associação Brasileira de Enologia, Luciano Vian, a falta de mão de obra esbarra na legislação, que dificulta a contratação temporária. Segundo ele, a maior demanda do setor acontece no período da poda e colheita, que vai de janeiro até meados de março.

– Esta região está com a mão de obra comprometida. Se poderia trazer pessoas de outras regiões, de outros Estados, mas existem alguns impasses em termos de legislação. Não se consegue fazer um contrato temporário de colheita, então são fatores que acabam dificultando – aponta Vian.

O levantamento foi feito entre setembro do ano passado e maio desse ano e colheu informações de 346 empresas produtoras de vinhos, espumantes e sucos, em diversas regiões do Rio Grande do Sul. Este total representa 79% das empresas com contexto válido para pesquisa – no Estado existem 545 vinícolas registradas. O diretor-executivo do Ibravin, Carlos Pavianni, explica que a pesquisa buscou traçar o perfil do setor.

– Nossa intenção ao realizar esse censo era justamente conhecer o perfil das empresas. A questão do mercado mostra claramente que 85% delas são micro e pequenas empresas, ou seja, têm faturamento até R$ 3,6 milhões. A grande maioria está voltada para o mercado local e regional, o que demonstra que ações de marketing deverão ser estimuladas – diz Pavianni.

A pesquisa também mostra que 78% das empresas têm vinhedos próprios, com média total no Estado de 16,9 hectares por vinícola. Do total pesquisado, 89,6% das videiras estão localizadas na Serra Gaúcha e 4,5%, na região da Campanha. Com grande parte das vinícolas sendo geridas pela família, o levantamento constatou ainda que há resistência em tomar dinheiro emprestado com os bancos.

– Acho que isso é um traço cultural da região de colonização italiana, onde mais de 80% das vinícolas estão concentradas. Metade dos entrevistados diz que não faz uso de empréstimos por não precisarem ou não quererem dar um passo maior que a perna. Isso é limitador, pode impedir ter capital de giro. Por outro lado, é uma condição sólida de investimentos – analisa Pavianni.