Ainda de acordo com a FDA, o limite máximo para a liberação de cargas de suco são de 10 partes por bilhão (ppb). Em um curto comunicado, a autoridade sanitária americana informou que das 19 amostras de suco importado liberadas nenhuma era brasileira. Oito eram de embarques do Canadá, oito do México, uma de Honduras, uma da Costa Rica e uma de Belize.
No documento, o órgão informou ainda que coletou 14 amostras dentro do mercado doméstico e que estas ainda estão em processo de teste nos laboratórios. A análise começou no final de 2011, quando a Coca-Cola relatou traços do carbendazim, princípio ativo de fungicidas, em amostras de uma carga da bebida importada do Brasil. Desde então, a FDA ameaça barrar a entrada de suco de laranja com resíduos de carbendazim, mas até agora não anunciou qualquer decisão.
Relatório decepciona indústria brasileira
No Brasil, a indústria torcia por uma conclusão de exames, mesmo que eles apontassem taxas de carbendazim acima do tolerável para o mercado americano.
– Foi melancólico, pois achávamos que teríamos algo concreto para que ao menos pudéssemos discutir e argumentar; com isso, possivelmente, teremos de esperar mais uma semana para um novo relatório -, disse uma fonte da Agência Estado.
O único alento para as processadoras foi a confirmação, no comunicado da FDA, de que oito das 19 amostras de cargas liberadas eram do suco de laranja exportado pelo Canadá para os Estados Unidos. O Canadá não produz suco e nem a fruta em escala comercial. O País importa bebida do Brasil e reexporta o excedente para os Estados Unidos, aproveitando de acordos de livre comércio. Por isso, a indústria avalia que essas amostras liberadas são brasileiras.
Mas o Canadá compra e exporta para os Estados Unidos o suco de laranja não concentrado e não congelado (NFC), o qual, por suas características, tem resíduos de carbendazim abaixo das 10 partes por bilhão (ppb), teor máximo permitido pelos Estados Unidos. Já a maioria do suco brasileiro que entra diretamente no mercado norte-americano é do concentrado e congelado (FCOJ), cujo processamento para a retirada de água faz com que os resíduos de carbendazim superem 10 ppb no volume final.