Maquiné, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, produz, em média, três mil sacas de feijão a cada safra. Neste ano, a valorização do grão animou os produtores da região. José Antônio Mras plantou 100 quilos de sementes e vai colher 90 sacas.
– Melhorou a situação e também a produção. E o que facilita a colheita é que antigamente era mais manual para trilhar. Hoje em dia há as trilharia – diz Mras.
Os produtores estão recebendo, em média, R$ 2,17 pelo quilo do feijão semeado. De acordo com o gerente técnico da Emater no Rio Grande do Sul, o valor está acima da média histórica do produto no Estado, que era de R$ 80 a saca.
– A lavoura de feijão no Rio Grande do Sul já teve 250 mil hectares, uma área significativa no Estado. Hoje, ela reduziu bastante e está em torno de 55 mil hectares – afirma Dulphe Pinheiro Machado, gerente técnico da Emater.
A redução de área nas lavouras gaúchas de feijão foi um dos principais fatores que contribuíram para a elevação dos preços nas duas últimas safras. Dulphe afirma, porém, que neste ano já foi registrado movimento inverso. Houve aumento de 53 para 55 hectares, um avanço de 3,5%. O clima também contribuiu para elevação dos preços.
Os problemas climáticos do Rio Grande do Sul também foram observados nos demais Estados produtores do país, como destaca o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller.
– O preço estava bastante abaixo do mercado, o produtor acabou migrando pra outras culturas. E o preço reagiu de forma violenta, chegando até a R$ 250. Hoje já está abaixo de R$ 100 – diz Geller.