Fumicultores manifestam contra preços no Rio Grande do Sul

Entre as reivindicações, estão também as políticas de classificação adotadas pelas empresasCerca de 2.500 produtores de tabaco se reuniram nesta sexta, 10, em Venâncio Aires, no Rio Grande do Sul, para manifestar contra o excesso de rigor das empresas fumageiras na classificação do fumo, os baixos preços do produto e a política adotada por algumas indústrias com o aumento de preço para apenas algumas determinadas classes.

Três comitivas formandas por representantes da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Federação dos Trabalhadores da Agricultura (Fetag) e da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) estiveram com três indústrias de Venâncio Aires e duas indústrias de Santa Cruz do Sul (RS).

– As fumageiras se comprometeram a comprar toda a produção dos produtores, independente de cor e classe do fumo. As indústrias também firmaram um acordo com a gente em que vão rever o atual processo de classificação do fumo. Até o fim deste mês, as fumageiras vão melhorar os critérios de avaliação para aumentar o preço pago ao produtor – afirma o presidente da Fetag, Carlos Joel da Silva.

Hoje, o quilo do tabaco está cotado entre R$ 7,34 e 7,40. Segundo as entidades, o preço ideal é de R$ 7,88. Uma vez que o valor atual não está pagando os custos de produção, avaliado em torno de R$ 7,60.

Em nota, a Alliance One Brasil, uma das indústrias fumageiras que recebeu as entidades representativas dos produtores afirmou que segue rigorosamente todos os acordos firmados com as Instituições Públicas no que tange às suas obrigações para com seus produtores contratados. Em relação à comercialização, a empresa segue a Instrução Normativa No10, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que estabelece as características de identidade, qualidade, embalagem, marcação e apresentação do tabaco em folha que se destina à comercialização. E ainda que, os produtores contratados têm a oportunidade de acompanhar a classificação, contando inclusive com o suporte de fiscais de instituições públicas que auxiliam na redução de eventuais dúvidas. Em caso de divergência na negociação, o produtor tem a opção de não efetivar a comercialização e o tabaco retorna a sua propriedade, o qual pode ser negociado com a Alliance One.

Classificação do tabaco

As entidades, juntos ao produtores, também reivindicam a forma como as indústrias estão classificando o produto, que inicialmente, segue os critérios na propriedade. Ao chegar às fumageiras, o tabaco passa por uma nova classificação, que são sempre abaixo do padrão do fumicultor, e impacta os preços do produto.

Produção

A região Venâncio Aires é a maior produtora de fumo do país com cerca de 21,5 mil toneladas por safra, segundo dados da Afubra. O Rio Grande do Sul é o principal estado com 52% da produção nacional. Na 2014/2015, a produção brasileira deve chegar a 332 mil toneladas, um recuo de 4% em relação a safra anterior. Atualmente, o Brasil é o segundo maior produtor de tabaco do mundo, atrás apenas da China.