
O Ministério da Agricultura trabalha para ampliar os recursos para o Moderfrota e os de custeio para a safra 2016/2017, afirmou o secretário de Política Agrícola e ex-ministro Neri Geller. Segundo ele, os recursos previstos para as duas dotações no Plano Safra são insuficientes e terão de ser maiores, principalmente para o Moderfrota.
“Temos de ampliar recursos do Moderfrota, porque R$ 5 bilhões é muito pouco para a agricultura brasileira investir. Esse programa é importante e é bom lembrar que em 2013/2014 foram R$ 12 bilhões”, disse Geller. “Temos uma discussão com o Ministério do Planejamento e vamos trabalhar para aumentar”, completou o secretário, que exerce a função, mas ainda não teve seu nome publicado no Diário Oficial da União (DOU).
Nesta terça, dia 31, o Conselho Monetário Nacional (CMN) elevou, no programa Moderfrota, o limite de financiamento para a aquisição de equipamentos de preparo, secagem e beneficiamento de café de R$ 40 mil para R$ 320 mil por ano agrícola. Também ficou permitido o financiamento de pulverizadores autopropelidos de qualquer tamanho e capacidade.
Geller destacou, ainda, a decisão do CMN de alterar as regras de direcionamento de recursos captados pelas instituições financeiras por meio de Letras do Crédito do Agronegócio (LCAs) para operações de crédito rural. A partir desta quarta, dia 1º de junho, 35% do saldo médio das LCAs emitidas, independentemente do lastro, deverão ser direcionados para o financiamento rural. A medida deve direcionar cerca de R$ 21 bilhões para o crédito rural ao Plano Safra, R$ 9 bilhões para operações de custeio com taxas controladas de até 12,75% ao ano e R$ 12 bilhões restantes para operações com taxas livres.
“Esse recurso para o custeio é importantíssimo, pois ampliar o volume para produtores se autofinanciarem. Importante porque produtor com recursos na mão consegue negociar melhor sua produção”, completou Geller.
Expansão das exportações
Na avaliação do presidente-executivo do Conselho Nacional do Café (CNC), Silas Brasileiro, a alteração do limite de financiamento dará condições ao Brasil para continuar expandindo as exportações do grão entre 2% e 2,5% ao ano e atender à crescente demanda externa por café de qualidade.
“A medida causará impacto especialmente para a qualidade do produto brasileiro ofertado ao mercado externo. Sem investimentos em máquinas de beneficiamento do grão não seria possível elevar a qualidade e não haveria condições de o Brasil suprir a demanda global por café de qualidade, que vem crescendo”, disse.
Historicamente, lembrou Brasileiro, as exportações de café têm crescido entre 2% e 2,5% ao ano. Mas o aumento em breve seria comprometido pela falta de estrutura para beneficiar o café, especialmente nas lavouras do Espírito Santo. “Muitos produtores do Espírito Santo ainda trabalham com equipamento arcaico, secadores que deixam cheiro no café e não contam com tulhas para descanso do café”, explicou.
A entidade já havia levado à ex-ministra da Agricultura Kátia Abreu a solicitação de aumento do limite de financiamento no Moderfrota. Mais recentemente, teve encontro com o atual ministro da Pasta, Blairo Maggi, para reforçar o pedido. “Ele foi muito sensível a nossas colocações”, afirmou o presidente executivo do CNC.
Abimaq
A opinião do presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Pedro Estevão Bastos, também é otimista quanto à alteração do limite de financiamento de máquinas para o setor cafeeiro.
Segundo ele, os recursos poderão ser utilizados para a aquisição de equipamentos de preparo, secagem e beneficiamento de café e também de pulverizadores autopropelidos, de qualquer tamanho e capacidade.
“Para as indústrias de máquinas voltadas ao setor de café e também para o cafeicultor, a medida trará um grande impacto. O efeito será imediato, de 60 a 90 dias”, declarou Bastos.
Neste prazo, acrescentou, as empresas já terão tido tempo de promover campanhas de divulgação de seus produtos, aproveitando a facilidade de financiamento. Ele não soube estimar, entretanto, o potencial incremento nas vendas resultante da alteração.
No médio e longo prazos, a medida também deve estimular o aumento dos investimentos em novos modelos de máquinas para o setor. “Ninguém investiria se não houvesse valor compatível para a aquisição dos produtos”, explicou. A fabricação das máquinas contempladas pela medida do CMN é concentrada em quatro ou cinco empresas, de acordo com o executivo.