Em declaração na manhã desta sexta, dia 30, transmitida em cadeia nacional, Santos rejeitou os ataques de vandalismo nos protestos da quinta, dia 29.
– Ordenei a militarização de Bogotá e faremos isso em qualquer zona que seja necessário. Também enviaremos aviões das Forças Armadas para fazer pontes aéreas e garantir o abastecimento de alimentos no país – destacou. As cidades já registram escassez de alguns produtos, como a batata e o leite.
Irritado, após ter aberto mesas de negociação sem sucesso, o presidente lembrou que “a paciência se esgota”. Ele determinou que os ministros que participam, desde terça, dia 23, da mesa de diálogo com os camponeses deixem as propostas sobre a mesa e esperem a categoria decidir.
Os protestos no país já duram 12 dias e ganharam a adesão dos centros urbanos, com a participação de profissionais de saúde, professores e sindicatos de outras áreas, como a de transportes. Os agricultores, que iniciaram as manifestações, exigem apoio do governo para fomentar a produção interna, que está afetada por acordos de livre comércio.
Vários colégios da capital suspenderam as aulas e nas regiões sul e central há dificuldade de locomoção, devido a bloqueios e marchas de manifestantes.
Santos informou que, quando estavam a ponto de fechar um acordo, “alguém estranhamente aparece e instiga os manifestantes a aumentar suas demandas. Claramente, há interessados em que não se chegue a acordo”, acrescentou.
Em plena negociação de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e a menos de um ano das eleições presidenciais, o governo enfrenta resistência com relação ao processo, tanto por movimentos de esquerda, quanto por grupos da direita colombiana, representada pelo ex-presidente Álvaro Uribe.
Em seu discurso, Santos criticou abertamente o movimento Marcha Patriótica – que reúne representantes da esquerda, simpatizantes das Farc e o Exército da Libertação Nacional (ELN).
– A Marcha Patriótica quer nos levar a um beco sem saída e nos impor sua própria agenda. Não lhe interessa os camponeses, mas sua própria agenda política – acusou o presidente.