Governo da Colômbia suspende diálogo com integrantes do Protesto Nacional Agrário

Na quinta, dia 29, duas pessoas morreram e pelo menos 200 ficaram feridas em manifestações na capital Bogotá; protestos já duram 12 diasApós quatro dias de negociação com os integrantes do Protesto Nacional Agrário, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos mandou suspender o diálogo e designou 50 mil homens das Forças Armadas para desbloquear as rodovias e pontos de concentração em todo o país. O governo e os líderes do movimento não chegaram a acordo. Na quinta, dia 29, duas pessoas morreram e pelo menos 200 ficaram feridas em manifestações na capital Bogotá.

Em declaração na manhã desta sexta, dia 30, transmitida em cadeia nacional, Santos rejeitou os ataques de vandalismo nos protestos da quinta, dia 29.

– Ordenei a militarização de Bogotá e faremos isso em qualquer zona que seja necessário. Também enviaremos aviões das Forças Armadas para fazer pontes aéreas e garantir o abastecimento de alimentos no país – destacou. As cidades já registram escassez de alguns produtos, como a batata e o leite.

Irritado, após ter aberto mesas de negociação sem sucesso, o presidente lembrou que “a paciência se esgota”. Ele determinou que os ministros que participam, desde terça, dia 23, da mesa de diálogo com os camponeses deixem as propostas sobre a mesa e esperem a categoria decidir.

Os protestos no país já duram 12 dias e ganharam a adesão dos centros urbanos, com a participação de profissionais de saúde, professores e sindicatos de outras áreas, como a de transportes. Os agricultores, que iniciaram as manifestações, exigem apoio do governo para fomentar a produção interna, que está afetada por acordos de livre comércio.

Vários colégios da capital suspenderam as aulas e nas regiões sul e central há dificuldade de locomoção, devido a bloqueios e marchas de manifestantes.

Santos informou que, quando estavam a ponto de fechar um acordo, “alguém estranhamente aparece e instiga os manifestantes a aumentar suas demandas. Claramente, há interessados em que não se chegue a acordo”, acrescentou.

Em plena negociação de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e a menos de um ano das eleições presidenciais, o governo enfrenta resistência com relação ao processo, tanto por movimentos de esquerda, quanto por grupos da direita colombiana, representada pelo ex-presidente Álvaro Uribe.

Em seu discurso, Santos criticou abertamente o movimento Marcha Patriótica – que reúne representantes da esquerda, simpatizantes das Farc e o Exército da Libertação Nacional (ELN).

– A Marcha Patriótica quer nos levar a um beco sem saída e nos impor sua própria agenda. Não lhe interessa os camponeses, mas sua própria agenda política – acusou o presidente.