Na cidade paraense de Capitão Poço, a laranja chegou na década de 70, com um cultivo ainda tímido. Hoje, a região está sendo redescoberta e a citricultura passa por um novo momento. A cidade se tornou a maior produtora da fruta no Estado.
O novo ciclo iniciou em 2010 com a reativação da Citropar – Cítricos do Pará. A empresa concentra um terço de toda a produção de laranja do Estado em apenas três fazendas. São dois mil hectares de cultivo e um milhão de pés de laranja.
– O que nos atraiu para o Pará foi o baixo índice de pragas. Hoje nós temos uma produtividade bem maior com relação a São Paulo. Na questão da chuva, o índice pluviométrico é bem maior do que o de São Paulo, chove 10 meses do ano e o preço é mais atrativo. Enquanto o frete de São Paulo para chegar em Belém custa R$ 12,00 a caixa, aqui já estamos com a fruta – afirma o citricultor Júnior Zamperlini.
O agricultor ainda aponta que os pomares não sofrem com greening, pinta preta, leprose ou morte súbita. Livre das principais doenças, a pulverização é feita só uma vez, durante a florada, reduzindo os custos de produção.
Outra vantagem é o espaçamento menor entre as plantas, o que resulta em um ganho de produtividade de 60% por hectare. Para quem vende a saca a R$ 18,00, o lucro é garantido.
O gerente da Citropar, Adriano de Carvalo, trabalha há oito anos com a citricultura e há nove meses trocou São Paulo pelo Pará. Ele afirma que a diferença entre os Estados é bem radical
– A citricultura é diferente, o regime de chuva, o desenvolvimento de planta, o teor de umidade, a temperatura, que é elevada e dá desenvolvimento para as plantas. Nós temos uma planta de um ano e meio com produção bem ascendente. Em São Paulo, a gente não consegue encontrar uma planta com essa idade – destaca.
As laranjas são higienizadas e selecionadas na própria empresa. Por enquanto, 90% de toda a produção é distribuída para 11 Estados, a maioria da região Norte e Nordeste.
Para o engenheiro agrônomo da Emater, Jerry Dennys Siqueira o entusiasmo deve ser tratado com cautela, pois as vantagens do Pará atraem citricultores de São Paulo, que trazem o risco de pragas pelo transporte e pelas sementes.
– À medida que a citricultura avança, há também uma necessidade de medidas cautelares para reduzir o risco das pragas. Com certeza os microorganismos encontrarão aqui um clima favorável para seu desenvolvimento, porque nós temos um clima quente, úmido – alerta o engenheiro.
Indústria de suco
O governo do Pará aposta na expansão da citricultura. Em parceria com a Citropar, vai criar a primeira indústria de suco de laranja do Estado, que deve ser inaugurada em julho de 2013. O terreno de 50 hectares já foi adquirido. Para agrônomo Antônio Soares Neto, responsável por plantar o primeiro pé de laranja na região, isso é a realização de um sonho.
O gerente de Fruticultura da Secretaria de Estado de Agricultura do Pará, Geraldo Tavares, afirma que a indústria dará uma opção maior para os produtores de preço, que poderão vender para indústria ou para o atravessador natural, o que vai aumentar o valor da laranja.
– Isso vai induzir um aumento da área plantada no Estado, porque você vai precisar de muito mais produtores fornecendo laranja para atender o mercado in natura e o mercado da agroindústria – indica o gerente.