Impasse entre entidades de produtores de laranja ameaça Consecitrus

Faesp exigiu representatividade maior que a da Sociedade RuralApós mais de dois anos de discussão e mesmo depois da elaboração de um estatuto, a criação do Consecitrus - conselho com o objetivo de estabelecer políticas e diretrizes para a cadeia produtiva de citros - está ameaçada por um impasse criado entre entidades representantes de produtores de laranja. Com o documento pronto, o presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), Fábio Meirelles, exigiu uma representatividade maior da entidade no Consecitrus que a da Sociedade Rural

O pleito da Faesp irritou o presidente da SRB, Cesário Ramalho da Silva, que ameaçou retirar a entidade do Consecitrus. A Faesp estaria exigindo o dobro de membros e, consequentemente, de votos, em relação à SRB, na formação do Consecitrus, o que teria criado o impasse.

Segundo João Sampaio, ex-secretário de Agricultura e atual presidente do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp (Cosag), que intermedeia as negociações, uma reunião na quinta, dia 12, em São Paulo (SP), foi insuficiente para acabar com o impasse.

— Não chegaram a um acordo e vamos nos reunir novamente na segunda-feira — resumiu Sampaio.

Além dos produtores, o encontro de segunda deve ter a participação da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), entidade que representa a indústria nas negociações.

A polêmica entre Faesp e SRB é apenas mais uma envolvendo os produtores na formação do Consecitrus. Após participar das negociações iniciais, a Associação Brasileira de Citricultores (Associtrus) deixou-as e passou a criticar a forma como o estatuto do Consecitrus foi elaborado.

Depois da saída da Associtrus, os negociadores articularam a entrada da Cooperativa de Produtores Rurais (Coopercitrus) no conselho, mas houve um veto dos próprios representantes dos citricultores.

— A Coopercitrus não vai participar nesse primeiro momento — concluiu Sampaio.