Investimento na divulgação da cachaça no mercado internacional gera expectativa por alta nas exportações

Projeto de um ano deve ajudar a expandir negócios de produtores brasileirosUm projeto da Agência Brasileira de Promoção de Exportações (Apex) e Investimentos, junto com o Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac) deve promover a cachaça no mercado internacional. Com um investimento de R$ 700 mil, a expectativa do setor é alavancar o volume de exportações, que hoje é de 1% para 10%.

A produção da cachaça no Brasil é de cerca de 1,2 bilhão de litros por ano. Nos Estados Unidos o consumo vem aumentando desde abril, quando a cachaça foi reconhecida como produto brasileiro. Por isso, novas ações promocionais serão realizadas no mercado externo para auxiliar as vendas da bebida.

As ações devem ajudar a expandir negócios de produtores brasileiros, como o empresário Carlo Tebaldi. Ele planta toda a cana-de-açúcar destinada à produção de cachaça, mas viu sua produção da bebida diminuir com a redução nas exportações. Em 2008 produzia cem mil litros e exportava mais da metade. Hoje são 20 mil litros por safra e o destino é somente o mercado interno.

— Nós chegamos a exportar há dois, três anos quando a taxa cambial era favorável. Com a queda da taxa cambial, nosso cliente não entendeu o aumento do preço e a gente também não quis desgaste do cliente e paramos de exportar. Estamos envelhecendo nossa cachaça e esperamos um momento oportuno para que se possa entrar no mercado internacional novamente — diz Tebaldi.

O projeto da agência de promoção terá validade de um ano. O alvo principal no exterior será os Estados Unidos, principal consumidor da bebida. No próximo projeto a ideia é focar a União Europeia, onde tem o maior consumo de destilados do mundo.

— A ideia é que a gente consiga com esse projeto aumentar em cerca de 10% o que é exportado de cachaça para os EUA. Vai ser feito um trabalho para identificar quais serão os outros potenciais de mercado que serão abordados no futuro projeto com a Apex — afirma Carlos Lima, diretor executivo do Ibrac.

Para os produtores, ações internas ainda precisam ser tomadas para garantir o mercado da cachaça no Brasil, que sofre com as tributações e a ilegalidade. De acordo com o censo agropecuário de 2006 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são mais de 11 mil empresas no país que produzem cachaça, sendo que 1,5 mil foram registradas no Ministério da Agricultura.

— O que está faltando na verdade é uma nova reclassificação quanto à questão tributária com a cachaça de alambique. O Brasil é um dos poucos países em que se beneficia cachaça de baixa qualidade, que ela paga menos impostos que a cachaça de boa qualidade. Precisa que nossos políticos revejam essas atitudes e que reclassifique conforme é na maioria dos países, que é pelo teor alcoólico e não pelo preço — explica Tebaldi.