Os últimos meses do ano passado e os primeiros de 2012 foram fortes nas aquisições de caminhões. Isso ocorreu, conforme a Fenabrave, porque o consumidor temia pela falta de opções de compras do modelo Euro 3, que está saindo do mercado para dar lugar ao Euro 5. O modelo novo tem tecnologia avançada e é menos poluente.
– Aproximadamente 1/3 das compras de caminhões do ano passado foram antecipadas. Ou seja, esse mercado não vai acontecer esse ano. Fora isso, a indústria produziu uma quantidade maior de Euro 3, que foi vendida nos primeiros meses deste ano, sobrando o estoque – aponta Flávio Meneghetti, presidente da entidade.
Ele explica que os dois modelos são diferentes na estrutura e funcionamento do motor. A nova versão utiliza o diesel s-50, que tem baixo teor de enxofre. No entanto, o preço dos novos é maior, além de oferecer dificuldades na hora de abastecer.
– Tivemos o problema do combustível, porque que a capilaridade da distribuição não atende às necessidades do mercado. O posto de combustível não tem ainda demanda de consumo e esse combustível estraga se ficar armazenado – diz.
Segundo Meneghetti, este é o ponto inicial dos entraves com as compras deste ano, além de outros problemas. Ele afirma que a quebra de safra influenciou na redução de fretes. Com isso, o setor ficou desacelerado. Aponta, entretanto, que o governo está de olho nessa situação e, por isso, linhas de crédito não faltam para incentivar os compradores nas aquisições de veículos novos.
– Crédito existe. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem dinheiro e está incentivando a compra. O governo reduziu a taxa de juros nesse segmento. O crédito é farto e barato – salienta.
A queda nas compras também aconteceu no mercado de caminhões usados e, enquanto existem linhas de crédito disponíveis para aquisição de novos, a falta de financiamento adequado preocupa quem deseja comprar um usado.
O empresário Remo Bernardino Pica relata que negocia cerca de 40 caminhões por mês em sua loja. Porém, desde janeiro, as vendas registram queda. Em sua opinião, as restrições de crédito prejudicam a expansão dos negócios de usados.
– Se tivesse uma reação dos bancos, uma taxa melhor, ou então melhorasse a aprovação, a tendência é que aumentasse o pessoal querendo comprar. O pessoal está animado, mas os bancos estão ainda travados com relação ao financiamento – pontua.