Ministro da Justiça afirma que não vai suspender demarcação de terras indígenas no país

Nesta quarta, ainda foi aprovada, pela Câmara dos Deputados, a criação de uma comissão externa para acompanhar as reintegrações de posse no território nacionalO ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou, em reunião com com deputados da  Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia, nesta quarta, dia 12, que não vai suspender as demarcações de terras indígenas no país. Segundo ele, o momento é de abertura do diálogo entre as partes em busca de uma solução pacífica. Nesta quarta, também ocorreu a primeira reunião entre indígenas e o governo após a morte do índio terena Oziel Gabriel, no dia 30 de maio, durante uma rei

Na próxima semana, Cardozo viaja a Mato Grosso do Sul onde participará de um fórum composto por representantes indígenas, produtores rurais, governo e Conselho Nacional de Justiça para buscar uma alternativa para os conflitos atuais no Estado. O ministro afirmou que se a medida der certo em Mato Grosso do Sul, se estenderá para outras regiões.

– Se por um lado, vamos melhorar o processo de demarcação, temos que pactuar qual o melhor modelo. Dependendo, pode servir para todo o país, onde há conflito na disputa de terras indígenas. Essa questão não se resolve com violência, isso não vai ser admitido no Estado brasileiro.

O presidente da Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia, deputado Jerônimo Goergen defende que a solução pode estar na regulamentação de artigos da constituição federal que tratam do tema. Com isso, estradas, propriedades rurais e fazendas não poderiam mais ser destinadas para criação de novos territórios indígenas.

– Não podemos ficar esperando pela (reserva) Raposa do Sol. Tem que regulamentar a lei. Nós estamos esperando condicionantes do STF, e quem tem que dar condicionantes é a constituição.

Denúncia contra agricultores gaúchos

Durante a reunião, o deputado entregou ao ministro da Justiça uma denúncia de que representantes de pequenos agricultores teriam extorquido índios kaingang no Rio Grande do Sul. Eles teriam feito palestras em aldeias, anotado o CPF de 600 indígenas e embolsado o dinheiro do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que jamais chegou aos índios.

Cardozo encaminhou a denúncia à Polícia Federal. Ele afirmou que, havendo indícios, ele abrirá um inquérito para investigar o caso.

Câmara cria comissão externa para acompanhar a reintegração de posse

A Câmara dos Deputados aprovou, em votação simbólica, a criação de comissão externa para acompanhar a reintegração de posse e demarcações de terras em litígio ou conflito em todo o território nacional. O número de deputados que integrarão a comissão ainda não está definido e será de acordo com a proporcionalidade das bancadas. No entanto, ficou garantida uma vaga para o deputado Ivan Valente (PSOL-SP), autor do requerimento de criação da comissão.

As indicações dos integrantes do colegiado serão feitas nos próximos dias pelos líderes partidários. De autoria do PSOL, o requerimento original propunha a criação de comissão externa para acompanhar os conflitos em Mato Grosso do Sul. No entanto, o líder do DEM, deputado Ronaldo Caiado (GO), propôs a ampliação das atribuições da comissão, o que foi aceito pelo plenário.

Desde a semana passada, o PSOL vinha tentando a aprovação do requerimento. Na terça, dia 11, nova tentativa para aprovação foi feita, mas a maioria dos partidos obstruiu a votação e a sessão acabou sendo encerrada por falta de quórum. Nesta quarta, pela manhã, mais uma vez o PSOL tentou inverter a pauta para a votação do requerimento, mas os partidos obstruíram a criação da comissão. No início da noite, com o apoio de praticamente todos os partidos a comissão foi criada.

 

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