Ministros da Justiça e da Secretaria-Geral representam governo em fala sobre combate à corrupção

Conjunto de medidas deve ser enviado ao Congresso em breveOs ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da Secretaria-Geral da Presidência da República, Miguel Rossetto, foram escalados pelo governo para falar após as manifestações que ocorreram em todo o país, neste domingo, dia 15. 

Depois de acompanhar as manifestações no Palácio da Alvorada em Brasília (DF), os ministros foram designados para uma coletiva que ocorreu no Palácio do Planalto.

Tanto Cardozo quanto Rossetto admitiram que as manifestações são legítimas, mas voltaram a dizer que é  inaceitável o “golpismo de intolerância” e criticaram a possibilidade de um pedido de impeachment.

– Estamos comemorando 30 anos de democracia, de combate à Ditadura Militar, e não vamos abrir espaço para posições fascistas e reacionárias que uma minoria demonstra buscar no meio das manifestações democráticas – afirmou Rossetto.

Miguel Rossetto e José Eduardo Cardozo defenderam as medidas de ajuste fiscal e admitiram que para aprovar as medidas, o governo terá que dialogar com o Congresso, como ocorreu no caso do reajuste do Imposto de Renda (IR).

Ambos ressaltaram que os manifestantes têm em comum o desejo de combater a corrupção e anunciaram que o governo enviará ao Congresso Nacional, nos próximos dias, um conjunto de medidas nesse sentido.

– É por isso que o governo, que tem uma clara postura de combate à corrupção, irá anunciar algo que já era uma promessa eleitoral da presidente Dilma Rousseff, que é um conjunto de medidas de combate à corrupção e à impunidade – explicou Cardozo.

Segundo ele, essas medidas ainda não tinham sido enviadas ao Congresso, porque necessitavam de ampla análise técnica e jurídica, inclusive porque algumas delas não podem ser de iniciativa do Poder Executivo. No entanto, Cardozo disse que a formulação das medidas já está com o processo avançado e, por isso, será possível divulgá-las em breve.

Reforma política

O ministro da Justiça afirmou que existe um ponto de consenso na sociedade para mudar a política eleitoral, chamada por ele de anacrônica. Este ponto comum seria o fim do financiamento empresarial de campanha.
Com relação aos casos de corrupção, o ministro Cardozo disse que “todos os culpados devem ser julgados ao rigor da lei, mas não se pode condenar antecipadamente sem ampla defesa dos acusados”. 

Os interlocutores reafirmaram que o governo vem combatendo a corrupção sistematicamente. Disseram que a independência dos órgãos garante a investigação e revela a corrupção, que antes, segundo o ministro da Justiça, ficava escondida:

– Não aparecia à luz do sol.