>> Produtores rurais fazem mobilização nacional contra atuais demarcações de terras indígenas
A senadora Kátia Abreu, presidente da CNA, que compareceu à mobilização em Mato Grosso do Sul, declarou que a presidente Dilma anunciou a transformação da Funai em órgão do governo federal:
– Direito de índio não é melhor do que o de produtor. Queremos respeito para todos. Se os índios foram injustiçados, hoje somos nós – afirmou.
Na cidade de Guaíra, no Paraná, o trânsito chegou a ser bloqueado na BR-163/364, próximo à ponte sobre o rio Paraná, em uma área importante para transporte de mercadorias ao Paraguai. Cerca de duas mil pessoas participaram da mobilização.
Em Mato Grosso, são cerca de duas mil pessoas na mobilização que ocorre na BR-364 e BR-163. Alguns produtores pedem para retornar às terras das quais tiveram que sair em 2012. Em Minas Gerais, dezenas de produtores foram até a BR-352 para protestar contra os conflitos em uma área de cinco mil hectares.
No Rio Grande do Sul, na cidade de Mato Castelhano e em outros municípios, 150 tratores fizeram bloqueios na BR-285. A situação foi tranquila e os produtores pararam a rodovia para entregar panfletos com suas reivindicações aos motoristas.
Também houve manifestações no nordeste. Em Amarante, no Maranhão, agricultores protestaram equanto na Bahia, em Itamaraju, um homem chegou a provocar confusão ao tentar dispersar manifestantes a tiros.
Produtores de todo o país reivindicam o fim das demarcações de terras indígenas até o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) dos embargos declaratórios referentes ao caso Raposa Serra do Sol; a adoção de caráter indenizatório aos produtores que tiveram suas propriedades demarcadas; a construção de uma nova política indigenista, submetida não apenas à Fundação Nacional do Índio (Funai), mas também a outros ministérios e órgãos do governo federal e que as propriedades invadidas não sejam mais passiveis de desapropriação.
Em paralelo ao dia de protestos, a Sociedade Rural Brasileira sedia, em São Paulo, um evento para discutir a insegurança jurídica no campo. O presidente da entidade, Cesario Ramalho da Silva, defendeu a necessidade de mudanças nas demarcações.
– O agro precisa de força política, para afastar a insegurança jurídica do campo brasileiro. A solução é política.