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A pesquisadora do IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, Alessandra Alves de Souza, afirma que a importância da descoberta está no novo uso do produto com menor impacto ambiental, já usado como medicamento, o que mostra não ser prejudicial para o homem.
– Ressaltamos que a dose usada na planta é bem menor que a usada em seres humanos. Essa molécula também é usada para combater os radicais livres e ajuda na prática de exercícios físicos – explica.
Os pesquisadores avaliaram esta molécula como estratégia para inibir ou desagregar o biofilme bacteriano da Xylella fastidiosa, causadora da Clorose Variegada dos Citrucs (CVC), e o da Xanthomonas citri, causadora do cancro cítrico. O biofilme formado pela bactéria xanthomonas fica na superfície das folhas e o constituído pela xylella se instala dentro da planta.
De acordo com Alessandra, no caso da Xanthomonas citri, esse biofilme protege as bactérias de estresses ambientais, entre eles o calor e raios UV, e de compostos antimicrobianos que possam afetar o desenvolvimento da bactéria, dentre eles o cobre, rotineiramente utilizado no controle químico da doença.
O objetivo da pesquisa do Centro de Citricultura do IAC era encontrar uma estratégia para retardar ou inibir a formação dessa capa protetora nas folhas antes da infecção, a fim de tornar a xanthomonas mais vulnerável. Assim a bactéria ficaria mais suscetível aos estresses ambientais e aos compostos antimicrobianos. Consequentemente, seria reduzida também a quantidade de produtos químicos e os focos da doença.
– Com esse objetivo, avaliamos o análogo de aminoácido, o N-acetil-cisteína, chamado NAC, um agente com propriedades antibacterianas e que reduz a formação de biofilme em várias bactérias, principalmente causadoras de doenças em seres humanos – explica.
A pesquisa foi desenvolvida inicialmente em plantas com CVC e que receberam NAC com aplicações do produto por diferentes sistemas, como hidroponia e fertirrigação. Nesses casos, a doença voltou três meses após a interrupção do tratamento. Foi avaliado também o uso do NAC acoplado a um adubo de liberação lenta, situação em que a doença retornou apenas seis meses após a interrupção do produto. No total, a pesquisa teve duração de quatro anos.
– Os resultados mostram que esta molécula não só reduziu a quantidade de bactérias (Xylella fastidiosa) capazes de colonizar o xilema das plantas, como também foi capaz de reverter os sintomas de plantas com CVC. No caso da xanthomonas, o NAC teve efeito de desprendimento da comunidade bacteriana que vive sobre as folhas – explica.
Segundo Alessandra, a aplicação de N-acetil-cisteína com cobre reduziu em até mil vezes a concentração de bactérias nas folhas. A pesquisadora diz que se pode se tratar de nova estratégia de manejo do Cancro Cítrico.
Apesar de os estudos serem feitos em condições controladas, em laboratórios e casa de vegetação, o custo final do uso dessa molécula é bastante viável.
– Lembrando que o tratamento atual para CVC é à base de inseticida, o que além de alto custo, tem um alto impacto ambiental – diz a pesquisadora.