>> Leia mais notícias sobre questão indígena
O agricultor, Altair Santos Bueno, foi espancado há cerca de três semanas por índios caingangues, enquanto tentava conter uma invasão da tribo em um balneário do local. Na região, 715 hectares já foram demarcados como território indígena e mais de 60 famílias de pequenos agricultores devem ter que desocupar as terras, sem ter para onde ir.
Desde o fim de novembro o prefeito decretou situação de emergência no município. O decreto vale por 30 dias, podendo ser prorrogado. Segundo o prefeito, existem apenas dois policiais militares que fazem a segurança na cidade, o que seria insuficiente diante dos últimos conflitos entre índios caingangues e agricultores.
– A situação dos agricultores é muito preocupante, porque se são 715 hectares, tiramos 25 hectares do empreendimento. São pequenas propriedades, e como a terra não vai ser desapropriada, ela vai ser expropriada. Para os índios e a Fundação Nacional do Índio (Funai) as terras já são dos índios. Com a indenização jamais os agricultores vão conseguir outro pedaço de terra pra trabalhar – salienta.
No último dia 20 de novembro, uma casa, onde funcionava um escritório de advocacia foi incendiada. Como era noite, não havia ninguém no local no momento do incidente, tudo o que havia dentro da casa foi destruído, incluindo documentos de clientes do escritório. Segundo testemunhas, a ação foi praticada por grupo de índios, armados com facas, arcos e flechas.
O cacique Roberto Carlos Santos é líder de uma aldeia da região, que reivindica mais terras. Em dois hectares vivem 35 famílias da tribo caingangue. O indígena diz que a violência partiu de poucos e é reflexo da falta de agilidade do governo para resolver o impasse.
– Nós queremos fazer da melhor forma possível, fomos com a liderança de forma pacifica. Mas também as pessoas mal entendidas que atiram, e daí paciência esgota. Essa tragédia que aconteceu não teve organização, ou até mesmo segurança – disse.
O cacique alerta que, se o governo federal não der um destino para os índios, os conflitos devem continuar na região.
>> Vigilante é agredido ao tentar impedir entrada de índios em estabelecimento no norte gaúcho
>> Cresce tensão entre índios e agricultores em Vicente Dutra (RS)