Neri Geller toma posse como novo ministro da Agricultura

Reforço do Plano Agrícola e Pecuário está entre as prioridades de GellerO novo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o gaúcho Neri Geller (PMDB), tomou posse, no Palácio do Planalto, na manhã desta segunda, dia 17. Ele irá substituir Antônio Andrade, que assumiu o cargo em março de 2013. A escolha de Geller agradou as principais lideranças do agronegócio.

Ex-secretário de Políticas Agrícolas do Mapa, Geller afirmou que o reforço ao Plano Agrícola e Pecuário para a safra 2014/2015 está entre as prioridades na gestão à frente da pasta.

– Reconheço os avanços do governo no plano atual e acredito que ainda há espaço para desenvolver algumas modalidades, como o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural. Além disso, é preciso reforçar a Política de Garantia de Preços Mínimos. Vou tratar destes temas como prioritários junto à equipe econômica – destacou Geller.

– Além da liberação, quero dar mais agilidade aos defensivos agrícolas. Temos outro grande passo a dar, que é a questão da infraestrutura, de destravar alguns projetos que estão complicando o escoamento da produção – acrescentou o novo ministro, que também pretende dar atenção especial a culturas de maior risco, como uva e laranja.

– Ele conhece o setor rural do país, especialmente o do Centro-Oeste.  Tenho certeza que o ministro conduzirá nossa agricultura a novos recordes de produção – afirmou Dilma Rousseff.

A repercurssão do novo ministro foi positiva no setor. O presidente da Famato, Rui Prado, lembra que Geller “já conhece os caminhos do governo” e acredita que ele “tem todas as condições de desempenhar um belo papel para o Brasil na agropecuária”.

Glauber Silveira, presidente da Aprosoja Brasil, considera que, como secretário, Geller acumulou consquistas.

– A gente esperava realmente que o ministério tivesse um produtor, um produtor que entende as necessidades do setor.

Já os fiscais federais agropecuários, que na gestão de Antônio Andrade protestaram contra nomeações políticas e não-técnicas, mantêm a mesma bandeira. 

– Os encadeamentos continuarãos os mesmos, nós somos contra a ocupação de cargos de natureza técnica. A gente entende que deva haver um componenete político, ninguém vive sem política, mas tem que ter um conhecimento técnico, inclusive para administração do ministro – considerou o presidente do Sindicato Nacional de Fiscais Federais Agropecuários, Wilson Roberto de Sá.

Ministério do Desenvolvimento Agrário

O petista Miguel Rossetto (PT), também gaúcho, retorna ao Desenvolvimento Agrário 10 anos depois de ter participado da implantação do ministério, em 2003. Ele comemora o crescimento do crédito para a agricultura familiar, oferecido pelo Pronaf, que passou de R$ 2 bilhões para R$ 20 bilhões em 2013. Rossetto assume no lugar de Pepe Vargas, que volta para a Câmara dos Deputados.

– Quero dar continuidade com qualidade e quantidade. A reforma agrária, para nós, traduz um conceito muito forte: terras que podem produzir para homens e mulheres que querem produzir. Com essa orientação vamos continuar nesse programa.

Rossetto volta para o comando também com o apoio dos movimentos sociais. A expectativa é de que a experiência dele seja decisiva para dar fôlego às políticas voltadas para o campo no último ano do governo.  
  
– Nossa avaliação é bastante positiva, animadora, considerando que o ministro já foi gestor do Ministério do Desenvolvimento Agrário no primeiro governo do presidente Lula. Foi na sua gestão que aconteceu os maiores avanços de política pública para o campo. Ele abriu o canal de diálogo como os movimentos sociais – opina o secretário de Política Agrícola da Contag, David Wylkerson.

Rossetto disse que está se atualizando sobre os programas do ministério e que, no encontro com os líderes dos movimentos, quer “escutá-los”, já que pretende dar mais oportunidades aos trabalhadores que eles representam.

No mês passado, durante congresso realizado em Brasília, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) reclamou do ritmo lento da reforma agrária no país.

O ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) tem agora como titular o senador Eduardo Lopes (PRB).

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• Opinião: Odacir Klein fala sobre as expectativas acerca dos novos ministros

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• Veja a entrevista com Miguel Rosseto:

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