— O novo Código altera a obrigatoriedade da regeneração de determinadas áreas e esse estudo vai nos ajudar a avaliar os reais impactos do Código Florestal — disse Márcia Hirota, coordenadora do atlas, que foi produzido em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Segundo a coordenadora, estão sendo feitos novos levantamentos para incluir no documento dados sobre matas ciliares e de várzea, que irão formar um “marco zero” do momento que antecede a implantação da nova lei. Os dados complementares devem estar prontos em agosto deste ano.
O Atlas, que teve sua primeira edição em 1990, mostra uma redução dos níveis de desmatamento ao longo de 25 anos. No período de 1985 a 1990, a média anual era de cerca de 93 mil hectares desvatados. Em 2010, o volume foi de 13 mil hectares.
— Apesar da diminuição do volume, o desmatamento não deixou de acontecer e nos fez chegar a marca de apenas 7,9% de remanescentes florestais — disse Hirota.
Segundo a fundação, a Mata Atlântica é o bioma mais ameaçado do Brasil.
Foram pesquisados dez dos 17 Estados que formam o bioma, os quais representam 93% da Mata Atlântica do país. Minas Gerais e Bahia são os Estados que mais desmataram, com 6.339 e 4.493 hectares, respectivamente.
— No Estado de Minas Gerais, as florestas nativas estão sendo transformadas em carvão e substituídas por eucalipto — disse a coordenadora do estudo.
Os Estados com menos áreas desmatadas (em hectares) são Goiás, com 33; Paraná, com 71; e Rio de Janeiro, com 92.
— Destacamos o Rio de Janeiro, pois o estado já liderou a lista dos maiores devastadores em análises anteriores e, nos últimos anos, temos verificado uma ocorrência menor de desmatamento — avaliou Hirota.
O Rio de Janeiro possui, atualmente, 19,59% de sua Mata Atlântica preservada. Nesta edição, o estudo delimitou a área pertencente aos municípios como forma de permitir uma melhor atuação das entidades e organizações municipais.