ENTREVISTA

Objetivo não é afrontar produtores, diz presidente da Conab sobre importação de arroz

Edegar Pretto garantiu que o governo federal vai lançar medidas para apoiar o setor produtivo diante da tragédia climática

cultivar arroz irrigado em lavoura, grãos e panícula
Foto: Paulo Lanzetta/Embrapa Clima Temperado

O governo federal não quer afrontar os produtores de arroz com a autorização para a importação do cereal, afirmou o presidente da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), Edegar Pretto.

Pretto explicou que as importações são necessárias para equilibrar a oferta interna após o desastre climático no Rio Grande do Sul, estado que concentra cerca de 74% da produção nacional deste alimento básico.

“Levamos em consideração o conjunto do nosso país. Tivemos aumento nos preços do arroz nos últimos dias, de 30 a 40%, desde as enchentes no Rio Grande do Sul. Muitos produtores foram afetados, mas também temos que dar atenção aos consumidores, pois o arroz, junto com o feijão, é o alimento mais consumido pelo povo brasileiro”, disse Pretto.

O presidente da Conab garantiu que o governo federal vai lançar medidas para apoiar o setor produtivo diante da tragédia climática que assola o Rio Grande do Sul.

Segundo Pretto, o próximo Plano Safra será generoso para os orizicultores.

“Estamos preparando medidas potentes para favorecer a produção de alimentos, e o arroz terá uma atenção muito especial em função do equilíbrio que temos entre a oferta e a demanda nacionais. Queremos garantir preços justos e compensadores aos agricultores, de todos os tamanhos, e estamos avaliando a possibilidade de lançarmos medidas mais arrojadas, como contratos de opção de venda para os produtores de arroz na próxima safra (2024/25)”, enfatizou.

Pretto destacou que a produção de arroz deve crescer em 2023/24, com a área cultivada aumentando pela primeira vez em 13 anos.

“É por tudo isso que o governo autorizou a importação de até um milhão de toneladas de arroz. Obviamente que não compraremos toda essa quantidade de uma vez só. O primeiro edital, lançado hoje, é para a importação de 300 mil toneladas. Nosso objetivo é garantir preços justos aos consumidores. Todo esse arroz importado será vendido a no máximo 4 reais por quilo aos consumidores finais”, concluiu Pretto.

Arroz no Brasil

O oitavo levantamento da Conab prevê que a produção de arroz em 2023/24 será de 10,495 milhões de toneladas, 4,6% a mais que em 2022/23. No sétimo levantamento, esperava-se 10,567 milhões de toneladas.

Estimaram a produtividade das lavouras em 6.664 quilos por hectare, o que é 1,7% inferior aos 6.780 quilos por hectare da temporada passada.

O Rio Grande do Sul deve ter uma safra de 7,274 milhões de toneladas, um avanço de 4,9%. A área prevista é de 900,6 mil hectares, ante 862,6 mil em 2022/23. O rendimento esperado é de 8.077 quilos por hectare, ante 8.039 quilos da anterior.