Ônibus da Mulher oferece atendimento a produtoras vítimas de violência

Unidades são equipadas com salas para atendimento emergencial, com equipe treinada para ouvir denúncias e prestar primeiro atendimentoAs áreas rurais de São Paulo e Paraná serão as próximas a receber um ônibus adaptado com serviço de assistência psicológica, jurídica e social para vítimas de violência doméstica no campo. A iniciativa foi criada pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR). A ideia é tornar mais fácil o acesso a esse tipo de atendimento para as mulheres do campo e da floresta.

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Os ônibus itinerantes já foram doados para 14 Estados brasileiros, além do Distrito Federal. A cada semana, o veículo fica estacionado em um ponto estratégico na zona rural de alguma cidade. Além de palestras, as moradoras são atendidas, individualmente, por uma equipe de psicólogos e assistentes sociais e jurídicos.

A produtora rural do Distrito Federal, Márcia Adriana de Menezes, lamenta a ausência dos serviços de acolhimento às vitimas de violência doméstica.

– As mulheres, às vezes, procuram orientação e não estão tendo atendimento no campo, tem que buscar na cidade. É uma dificuldade muito grande – diz.
 
Na região rural do Distrito Federal, o Ônibus da Mulher levou atendimento a mais de 300 pessoas. São mulheres que procuram informação, principalmente sobre os direitos femininos e sobre a lei Maria da Penha. Nos casos de violência doméstica, a vítima é imediatamente acolhida. Dependendo da situação é encaminhada aos centros de referência e assistida juridicamente no processo de agressão.

– No campo, a mulher tem mais dificuldade de acessar as políticas públicas. Os mecanismos de proteção. A informação chega de uma forma mais débil, ou mais demorada até as localidades mais distantes. O ônibus vai exatamente para cobrir essa dificuldade – salienta a secretária de Estado da Mulher do Distrito Federal, Olgamir Amância.

Números da violência

No primeiro semestre deste ano, o Disque-180, Central de Atendimento à Mulher, registrou de 300 mi ligações (306.210). Cerca de duas mil foram feitas por mulheres moradoras de áreas rurais. De acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, 53% das mulheres que sofrem violência no campo são agredidas fisicamente e 65% são vítimas de violência psicológica.

A psicóloga, Kelly Rodrigues, explica que pela falta de informação, muitas mulheres que vivem no campo desconhecem que, constrangimento moral ou xingamentos, também são agressão e devem ser denunciados.
 
– Quando o homem diz para mulher, “você é incapaz, você é feia, gorda, não presta para  nada, você não vale nada”, isso tudo são formas de depreciação que são consideradas violência psicológica em relação a essa mulher. Essa mulher que vive no campo, vive numa situação de isolamento social, está mais afastada dos meios de comunicação. Ela tem menos recursos para se defender, logo, ela passa mais tempo sofrendo esse tipo de agressão – destaca.

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