Operação do Ibama aponta Mato Grosso como Estado que mais desmata no bioma amazônico

Associação de Criadores do Estado questiona dados e pede transparência na indicação de culpadosOs produtores de Mato Grosso estão sendo multados por desmatamento ilegal. Segundo dados de uma operação do Ibama, realizada nos Estados que fazem parte do bioma Amazônia, o estado é um dos que mais realiza a prática de forma ilegal no país.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), vem realizando em todo o país a operação Onda Verde, para coibir o desmatamento ilegal na Amazônia. A operação está sendo realizada nos Estados do Pará, Amazonas, Rondônia e Mato Grosso. A operação já dura nove meses e mostra que 130 mil hectares de terra foram embargadas, sendo que Mato Grosso é onde se concentra a maior parte delas.

– Historicamente o Mato Grosso foi um Estado que sempre teve a ocorrência de desmatamento ilegal, mas existem fatores diversos, econômicos, geográficos e fundiários, que levam a esse desmatamento – explicou o coordenador geral de fiscalização ambiental do Ibama, Jair Shimitt.

A multa cobrada a quem comete esse tipo de infração é pesada, só em Mato Grosso os valores chegam a R$ 500 milhões.

– Deve aumentar mais ainda, até fechar a simples análise em julho. Essas multas são decorrentes do desmatamento ilegal. Por cada hectare, em geral, o infrator é multado em R$ 5 mil – disse Shimitt.

A agropecuária é a atividade apontada como a grande motivadora para o desmatamento. Segundo um estudo realizado pelo Ibama,  80% a 90% da área desmatada é destinada para a criação de gado e o restante para produção agrícola. O norte do Estado apresenta os maiores índices da prática.

Para a Associação de Criadores de Mato Grosso (Acrimat) é preciso cautela para analisar a situação.

– Existem, sim, alguns produtores que vem fazendo ações ilegais, e esses produtores tem que ser punidos com o rigor da lei do Ibama, com Polícia Federal e Força Nacional, mas não podemos mais admitir que entidades com um poder muito grande, como o Ibama, façam acusações tão levianas como eles vem fazendo nos últimos anos – disse Luciano Vacari, superientendente da Acrimat.

O representante dos criadores de gado do Estado também questiona o valor das multas e a identificação entre os desmatamentos legal e ilegal.

– A multa é uma ferramenta administrativa de um Estado que acha muito mais fácil sair por aí arbitrariamente multando, autuando e embargando pessoas que até mesmo não tem nada haver com a história – contesta Vacari.

Ambientalistas do Instituto Centro de Vida também criticam o governo. Segundo a coordenadora da Iniciativa Florestal – ICV, o valor da multa no Estado, não está sendo repassado de forma transparente pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), que é responsável por essa divulgação.

– O Ibama e a Sema tem a responsabilidade de implementar o registro ambiental, ou seja, de fazer com que a legislação ambiental seja cumprida, isso passa pela fiscalização, isso passa pela responsabilização, a emissão de multas e a cobrança dessas multas. A gente está vendo o Ibama trabalhar, fazendo essas ações pontuadas, mas a gente não sabe o que está acontecendo por parte da Sema, eu não sei falar quantas ações a Sema fez, quantas multas emitiu e quanto, efetivamente, arrecadou – afirmou Alice Tuolt.

Para Shimitt, umas das alternativas que pode servir como uma ferramenta para ajudar a coibir o desmate ilegal, é o Cadastro Ambiental Rural (CAR).

– O CAR é como um instrumento de gestão ambiental, também é o próprio instrumento de gestão da propriedade rural, possivelmente ele possa contribuir para diminuir o desmatamento e, sem dúvidas, aqui para nós, ajudaria a reduzir as autuações – disse ele.

A Sema informou em nota, que os dados relacionados ao desmatamento no Estado são divulgados de acordo com as informações fornecidas pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Segundo a secretaria, as informações estão atualizadas.