País deve colher mais de 3,300 milhões toneladas de feijão em 2014

Conab estima aumento de 25% na produção deste ano na comparação com ano passadoO preço da saca de feijão variou mais de 200% em São Paulo no último ano. Rendeu alta lucratividade e, num intervalo de poucos meses, deixou de cobrir os custos de produção. Agora, o mercado está mais calmo, migrando para a estabilidade de preços.  • Leia mais notícias de feijão

O feijão é colhido três vezes por ano safra. Na primeira colheita, que já foi realizada, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção em mais de um 1,300 milhão toneladas, com aumento de 35% em relação ao último ano. No Brasil, somando as três safras, a previsão é de crescimento de cerca de 25% na produção deste ano, chegando a mais de 3,300 milhões toneladas de feijão no país.

– É dificil ter expectativa com o feijão. Nós temos algumas sinalizações.  E este ano deve ser mais calmo. Temos uma expectativa de safra maior que a safra passada e não acredito que tenhamos movimentações muito fortes – destaca o analista de cereais de São Paulo, Rui Russomano.

Os preços do feijão vêm oscilando no mercado. Na bolsa de cereais de São Paulo, a cotação variou de R$ 85 até R$ 268 pela saca de 60 quilos de feijão carioca extra, na safra 2012/2013. O excesso ou a falta de oferta causaram o sobe e desce na cotação. A tendência para a próxima colheita é de meio termo entre os valores mínimo e máximo do ano passado.

Filho de agricultores, Matheus Leonel Nunes Alves, de 18 anos, já escolheu o dia a dia na lavoura como opção de vida. O estudante de agronomia participa dos afazeres da roça e já aprendeu que algumas culturas dão mais trabalho que outras.

– Dos cereais, o feijão é mais complicado que milho e soja – diz o estudante.

– O feijão tem um custo de produção elevado e precisa de tecnologia alta. O custo de mão de obra  também é caro, além dos problemas de pragas, doenças e insetos. A lavoura precisa ser pulverizada semanalmente. Para produzir um alqueire de feijão custa R$ 10 mil  ou R$ 4 mil para produzir um hectare. O custo é bastante elevado – salienta o engenheiro agrônomo, Luiz Henrique de Carvalho

A família de Matheus cultiva 120 hectares de feijão em Pilar do Sul, no interior de São Paulo. As sementes tratadas com inseticida, fungicida e enraizador são semeadas pela plantadora. A mecanização facilita o plantio direto que é feito sobre a palha do milho, colhido há dez dias. O feijão carioca vai levar três meses para ficar pronto pra colheita, mas o plantio não acontece todo de uma vez. Parte da lavoura está com quase um mês de desenvolvimento, enquanto outra, falta pouco para ver o resultado da produção.

O estudante conta que o plantio do cereal aconteceu em janeiro, bem na época de calor e falta de chuva, mas graças a irrigação, a lavoura se desenvolveu bem. A colheita deve acontecer daqui a 20 dias e Alves espera tirar até 50 sacas por hectare.

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