País perde negócios e competitividade por falhas no sistema logístico, diz ex-ministro

Para Francisco Turra, a questão é preocupante para qualquer setor do agronegócio brasileiroAs falhas no sistema logístico brasileiro prejudicam a competitividade do agronegócio brasileiro. O tema foi destacado por três ex-ministros da Agricultura, Alysson Paolinelli, Francisco Turra e Marcus Vinicius Pratini de Moraes, no seminário Caminhos da Soja no Brasil, realizado nesta terça, dia 11, em São Paulo. Para Turra, a questão é preocupante para qualquer setor do agronegócio brasileiro.

– O Brasil tem um potencial enorme na produção e oferta imensa na área de grãos, principalmente. Mas essas falhas na logística, com a demora do escoamento dos produtos, nos fazem perder negócios e prejudicam nossa competitividade – disse.

Segundo ele, no caso dos grãos, as falhas podem até ser uma oportunidade para a indústria processadora de carnes. Isso porque os grãos que não são exportados ficam no país como estoque regulador, de modo que a indústria pode exportar o insumo com valor agregado, ou seja, transformando em carne de aves e suínos, por exemplo.

– Se não investirmos em logística, o preço dos grãos podem até aumentar, em vez de seguir a tendência de baixa – declarou.

Para Pratini, que hoje é membro do conselho de administração do grupo JBS, o Brasil precisa deixar de ser estatística e de ser o primeiro em produção ou em exportação, para se preocupar mais com a logística.

– Há um esforço grande do agricultor brasileiro, que é um empreendedor nato, e está sempre investindo para aumentar sua produtividade. Mas é preciso vender o produto – disse.

O executivo também lembrou que, além da logística, o Brasil precisa investir em marketing.

–  Brasil não é bom de vender (itens) no exterior. O mundo vai demandar cada vez mais proteína animal. E para se ter a proteína animal tem de ter o vegetal – ressaltou.

Logística deve limitar expansão da produção

O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Glauber Silveira, afirmou que a biotecnologia permitirá ao Brasil produzir 84 milhões de toneladas a mais nos próximos 10 anos, atingindo 252 milhões de toneladas na safra 2022/2023, mas ele apontou as dificuldades logísticas como fatores limitantes para essa expansão. Segundo ele, o elevado custo logístico decorrente da dependência do transporte rodoviário será um grande desafio para os agricultores brasileiros nas próximas safras.

– Hoje estamos perdendo US$ 3,5 bilhões com a soja por causa da logística – calcula o presidente da associação.

Ele afirmou que o Plano de Safra anunciado na semana passada pelo governo federal foi o melhor já lançado até hoje, mas fez ressalvas quanto à execução do programa.

– O Brasil é a bola da vez, mas o alto risco desencoraja os investimentos no país – disse.

De acordo com Luiz Antônio Fayet, consultor em logística da Confederação da Indústria e Pecuária do Brasil (CNA), o país detém um quinto das terras que poderão ser incorporadas ao agronegócio.

– Estamos nos transformando em um fornecedor com responsabilidade de suprir o mundo com alimentos. Da porteira para dentro, somos ótimos. O problema é da porteira para fora.

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Agência Estado