– Os Estados Unidos são responsáveis pela compra de 15% das exportações brasileiras de suco de laranja; além disso, 80% do produto comercializado naquele país é misturado ao suco brasileiro -, lembrou o executivo.
Mendes lembra que o carbendazim é princípio ativo de fungicidas utilizados no controle de doenças de laranja, como pinta preta e estrelinha. Diferentemente dos EUA, onde é proibido desde 2009, no Brasil é permitida a presença desse defensivo em até 5 mil partes por bilhão (ppb) no suco de laranja.
– O mesmo ocorre em importantes mercados consumidores mundiais, como no Japão (3 mil ppb), no Canadá (1 mil ppb) e na União Europeia (200 ppb). Portanto é importante ressaltar desde já que, independentemente do desfecho norte-americano, o caso não deve prejudicar as exportações para outros países – avaliou.
No entanto, segundo ele, se o embargo norte-americano for concretizado e permanecer por um longo período, é provável que haja ajustes no setor. O executivo avalia que os Estados Unidos teriam de encontrar novos países fornecedores de suco de laranja para suprir a demanda interna pelo produto. O preço da bebida, que já está elevado, poderá atingir valores que retraiam o consumo. Já o preço da commodity poderia cair no mercado internacional devido ao excesso de oferta nos demais países consumidores.
Mendes lembra que produtores do Brasil utilizam o carbendazim há dez anos, e o uso de defensivos à base do produto é permitido e regulamentado por órgãos internacionais.
– A indústria brasileira de suco de laranja apresenta alto grau de desenvolvimento, principalmente por dispor de um excelente controle de qualidade em seu ciclo de produção; as tecnologias empregadas procuram sempre atender aos produtores, às indústrias e, sobretudo, ao consumidor final – afirma.