O presidente da Associação Sul-Brasileira de Geólogos, Ivam Luís Zanette, como líder da categoria, levanta a tese segundo a qual o problema é social e até de avanço das comunicações.
? Terremotos são um fenômeno comum. O que temos de diferente é, em primeiro lugar, que a imprensa está mais ágil. O que ocorre neste instante do outro lado do mundo já se sabe aqui. Em segundo lugar, os métodos para detectar estão mais avançados, o que nos permite identificar terremotos com mais facilidade. Além disso, os estragos e mortes são causados pelas grandes aglomerações urbanas mal construídas ? enumera.
Para ilustrar sua tese, Zanette exemplifica: caso ocorra um terremoto de 9 graus na escala Richter em um descampado, as pessoas que estiverem no local não sofrerão sequer arranhões:
? O que mata é o desabamento. Há alto povoamento em áreas de risco e prédios verticalizados e precários.
Antonio Pedro Viero, professor do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), concorda com a tese de Zanette. Diz que não há relação entre os episódios. Mas os tremores ocorreram em áreas povoadas, e isso chamou a atenção para as mortes e a destruição.
? O terremoto ocorre por causa do choque entre as placas tectônicas. Nos três terremotos, as placas envolvidas são diferentes ? afirma.
O geólogo Pércio de Moraes Branco é especialista em mineralogia e diz entender que o excesso de tremores provoque estranheza, inclusive para ele próprio. Mas também ressalva:
? Não é tão anormal assim, não.