Pesquisadora de Portugal alerta que doenças do lenho da videira são as 'novas filoxeras'

Maria Cecilia Rego relaciona moléstias atuais à praga que dizimou vinhedos na Europa no final do século 19A viticultura mundial enfrenta uma 'nova filoxera' - praga que, no final do século 19, dizimou vinhedos na Europa. Hoje, quem ocupa a posição de inimigo maior dos produtores de uva, em uma dimensão alarmante, são as doenças do lenho da videira (conjunto de moléstias que inclui a podridão-descendente, o 'pé-preto' e o 'chocolate', entre outras). O alerta foi lançado durante uma palestra, na última semana, na Embrapa Uva e Vinho, em Bento Gonçalves (RS), pela pesquisadora portuguesa Maria Cecilia

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– Um colega australiano, de renome internacional, a ponto de ser reconhecido como o ‘guru’ da viticultura mundial, Richard Smart, já usou esse conceito: as doenças do lenho são a nova filoxera da videira – diz Maria Cecilia.

De acordo com a especialista, a preocupante disseminação das doenças do lenho tem sua origem no significativo incremento das áreas de cultivo de parreirais, ou de sua renovação, tido nas últimas décadas.

– A demanda provocou um grande aumento na produção de mudas, feita às pressas, sem os devidos cuidados, de modo que plantas não-sadias foram difundidas pelo mundo inteiro – explica Maria Cecilia.

A especialista recomanda uma série de práticas preventivas para enfrentar o problema:

*Arranquio e a queima de restos culturais e de plantas doentes;

*Utilização de material vegetativo (mudas e porta-enxertos) de boas procedência e qualidade sanitária e a proteção, com pastas fúngicas, dos ferimentos eventualmente causados durante a poda;

*Uso de agentes biológicos, como o trichoderma, para a proteção de lesões na videira;