Preço da laranja de mesa sobe mas não é suficiente para mudar perspectivas da citricultura paulista

Ano foi marcado como um dos piores da história da citricultura no paísCitricultores estão recebendo um valor mais alto neste fim de ano pela venda da laranja de mesa. Mas a boa notícia não ameniza os prejuízos deste ano, considerado ruim para citricultura brasileira.

Este ano foi marcado como um dos piores da história do setor no país, consequência de uma crise provocada por uma série de fatores. A safra foi uma das maiores e as indústrias não conseguiram absorver a produção porque estavam com os estoques cheios. Além disso, os Estados Unidos, principal destino do suco de laranja nacional, barrou a entrada de cargas brasileiras devido à presença do fungicida carbendazim, o que obrigou os produtores a mudarem o modo de produção e gerou aumento de custos.

O citricultor Fábio Cardoso atribui à crise a autossuficiência dos Estados Unidos e da Europa, além da crise econômica mundial. Em sua propriedade, 20 mil caixas foram perdidas ou vendidas por um preço simbólico.

– O mercado nao absorveu essas laranjas. A perda foi muito grande, muita gente perdeu laranja este ano – lamenta o agricultor.

Desde o início do mês, o preço da laranja de mesa subiu cerca de 10% – a caixa está sendo comercializada a R$ 6,00. Apesar disso, o consumo interno ainda é muito pequeno para gerar um ganho significativo.

– Ela ajuda, mas muito pouco, porque uma está relacionada a outra. A fruta de mesa está relacionada à fruta da da indústria. Se uma vai mal, automaticamente a outra vai para baixo – observa Cardoso.

Na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), maior entreposto da América Latina, o preço da laranja de mesa subiu, mas não apagou os reflexos negativos do ano.

– A indústria parou de comprar, ela deu uma segurada no mercado e acaba vindo tudo para cá. A gente não consegue repassar para todo mundo. Nós não vendemos a quantidade que vendíamos no passado e também não tivemos a remuneração que a gente deveria ter – explica o gerente de vendas da Alfacitrus, Celso Nardocci.

Segundo o empresário, a elevação de dezembro já era esperada com a proximidade do verão, época em que a fruta é mais consumida.

– O aumento é relativo com o verão. Diminuiu a fruta doce, a laranja lima, morgote, mexerica, bahia, e então aumenta a venda da pera. É normal o preço dar uma mudada – aponta Nardocci.

O agricultor Fábio Cardoso, projetando novas dificuldades em 2013, resolveu não esperar e investir no plantio de mandioca. Ele já substituiu 18 hectares de laranja, cultura que, para ele, mesmo com uma leve melhora no ano que vem, está com os anos contados em São Paulo.

– Acho que melhora um pouco por causa da quebra de produção. Muitos pomares estão sendo erradicados. Então, com certeza, o preço vai melhorar um pouco, mas nao vai ser muito expressivo – finaliza o citricultor.

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