Ademir Batistela já começou a fazer a colheita. São nove tipos de laranja espalhados numa área com 170 hectares em Mogi Guaçu, no interior de São Paulo. Ele espera produzir 80 mil caixas nesta safra. Do total da produção, 40% devem ir para a indústria e 60% para varejo. Para conseguir um melhor preço, o produtor tenta segurar algumas espécies no pomar.
– Conforme a fruta, você pode adiar fazendo um trato diferente pra pegar o melhor preço, né, mas não são todas frutas que são assim. Tem frutas que são precoces, você tem que colher ela no tempo certo, principalmente, pra fábrica – diz o produtor.
A caixa de 40 quilos é vendida para a indústria por R$ 7. O valor, muitas vezes, não cobre os custos de produção.
– Esse ano a perspectiva parece ser melhor. Apesar de que ainda vai ser difícil, eu acho, principalmente no setor de laranja para suco – afirma Ademir Batistela.
Para o consultor Gilberto Tozatti, a crise econômica de 2012 continua impactando no preço do produto.
– O Brasil está passando por uma crise ainda. Ela vem desde o ano passado e esse ano está mais complicado ainda. Embora os preços estejam bons lá fora, aqui dentro a indústria processadora ainda não deu sinais de que vai pagar o valor justo para o produtor. Já o que ela está oferecendo hoje está abaixo do custo de produção. Então, os produtores estão descapitalizados em função da crise do ano passado – analisa o especialista.
Com uma renda menor, a maior parte dos produtores foi obrigada a investir menos nas lavouras. As aplicações de fertilizantes e defensivos diminuíram.
– Além de fertilizantes, outros tratos culturais deixaram de ser feitos pela maioria dos produtores e isso vai implicar numa produção menor ainda o ano que vem – alerta o consultor.
De acordo com a Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), a safra 2013/2014 pode ultrapassar 268 milhões de caixas. Na safra passada a produção de chegou a 385 milhões de caixas de laranja. Segundo representante entidade, essa queda pode manter os preços estáveis nesse ano.
As cotações devem sofrer influência da safra dos Estados Unidos.
– Eu estive agora na Flórida e mostraram que a produção da Flórida vai ter uma quebra muito grande para a próxima safra. Talvez a Flórida produza em de 120 a 125 milhões de caixas, que é bem abaixo do que eles costumam produzir. Somada a quebra de safra do Brasil. Isso vai fazer com que haja menos oferta de fruta para suco concentrado. Com isso, mantém os preços no mercado internacional – afirma o consultor Gilberto Tozatti.