Presidente da CNA afirma que área indígena Suiá Missú foi deslocada

Para evitar conflito entre Incra e Funai, a terra que pertenceria aos índios xavantes foi deslocada e agora prejudica os produtores ruraisA presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), senadora Kátia Abreu, fez duras críticas à criação de uma reserva indígena em Mato Grosso. A entidade aponta que a área do povo xavante, conhecida como Suiá Missú, teria sido deslocada porque no lugar foi construído um assentamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Segundo Kátia, para evitar conflito entre Incra e Funai (Fundação Nacional do Índio), a terra que pertenceria aos índios xavantes foi deslocada e agora prejudica os produtores rurais que habitam o local, que estão sendo ameaçados de despejo.

A senadora afirma que os produtores rurais têm insegurança jurídica provocada pelas demarcações de terras indígenas. Ela lançou dúvidas sobre os critérios para a definição da área de 165 mil hectares, que é localizada nos municípios de Alto Boa Vista, Bom Jesus do Araguaia e São Félix do Araguaia.

– Nós temos informações muito seguras. No caso Suiá Missú, a área indígena foi deslocada para esse local de conflito porque não interessava nem ao Incra e nem à Funai mostrar a verdadeira terra dos índios, já que em cima desta área foi instalado um assentamento. Então, preferiram deslocar para outra área para não haver conflito entre Funai e Incra. Pode até ser que a intenção tenha sido boa, mas não pode haver nada positivo em um ato que desrespeite a Constituição e o direito de propriedade – alegou a senadora.

Em nota, a Funai reafirma que suas ações são determinadas por critérios amparados e determinados legalmente. Reforça ainda que não cabe à fundação julgamento, descumprimento ou nova decisão. 

Avaliação da CNA

A CNA fez a avaliação do ano agrícola e as projeções para 2013. A pecuária leiteira foi apontada como situação de risco. Com os altos custos no preço do milho, principal componente da ração animal, o setor produtivo teme que o Brasil precise importar leite no próximo ano.

– No último ano, a gente teve um incremento muito grande dos preços do milho, que responde por grande parte da preparação das rações, e isso acabou elevando o custo para o produtor. Por outro lado, quando o produtor tem uma pressão de custo grande, ele acaba reduzindo essa ração e tratando o gado mais a pasto, aí ele produz menos leite. Se as captações continuarem caindo, a importação seria uma possibilidade. Contudo, se tivermos outros meios para substituir o milho por outras rações, isso poderia ser revisto – observa s superintendente técnica da CNA, Rosimeire dos Santos.

Neste ano, a quebra na safra agrícola provocou queda no PIB do agronegócio, que deve fechar 2012 entre 0% e 1%. Para o próximo ano, no entanto, a previsão é de uma supersafra e perspectiva de aumento do PIB agrícola de 3,5% a 4%. O crescimento contará com o aumento do consumo interno e também do mercado asiático.

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