Presidente da Comissão de Agricultura quer acelerar votações

Deputado Lázaro Botelho (PP-TO) defende seguro agrícola eficaz e comenta questões como conflitos agrários, demarcações indígenas e uso de agrotóxicos na agricultura brasileira

Fonte: Gustavo Lima/Agência Câmara

O empresário e pecuarista Lázaro Botelho, de 69 anos, é o novo presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (Capadr) da Câmara Federal. Natural de Loreto, no Maranhão, é morador e proprietário rural em Araguaína (TO) e está no terceiro mandato consecutivo como deputado federal pelo Partido Progressista (PP). Integrante da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), mas sem expressividade na bancada ruralista no Congresso Nacional, não apresentou nenhum projeto de lei vinculado ao agronegócio até hoje e ocupará pela primeira vez a vaga de titular na Comissão (já foi suplente e chegou a relatar algumas matérias) em mais de 9 anos em Brasília.

Amigo da senadora e ministra da Agricultura Kátia Abreu, ele critica o posicionamento dela contrário aos produtores rurais e considera inviável a volta ao comando da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Mesmo junto aos agricultores de Tocantins, o deputado acredita que a imagem da ministra ficou prejudicada. “Ela mudou pelo avesso”, afirmou. Nesta quarta-feira, 11 de maio, Lázaro Botelho comanda a primeira reunião deliberativa da Comissão de Agricultura no cargo ocupado até a semana passada pelo filho de Kátia Abreu, o deputado Irajá Abreu. “É uma coincidência boa”, afirmou.

Em entrevista exclusiva ao Canal Rural, o deputado disse que este é um ano atípico, já que o período para discussões e votações nas comissões será mais curto que em outros anos. Quanto a isso, disse que “está tomando pé da situação” e prometeu dar celeridade aos projetos que estão no colegiado (são oito prontos para a pauta e mais de 20 aguardando relatórios). Ele comentou o cenário político brasileiro, o afastamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), as expectativas à frente da Comissão de Agricultura e as necessidades do setor agropecuário para 2016.
 
Canal Rural – Qual a expectativa sobre a presidência da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados?
Lázaro Botelho – 
A Comissão de Agricultura é composta por muitos deputados veteranos que já fazem parte dela. Já faço parte dela há uns oito anos como suplente, mas mantendo relacionamento. É uma área que a gente conhece. Acho que vai dar tudo certo. Estamos todos unidos em prol de ajudar um ao outro.
 
CR – O senhor tem projetos na área?
Botelho –
 Já fiz algumas relatorias, mas era suplente. Fazia parte mais da Comissão de Viação e Transportes. Mas agora estamos tomando pé da situação, vamos fazer de tudo para desenvolver. Já tem muitos projetos em andamento. Já distribuí para fazer as relatorias e dia 11 [de maio] teremos a primeira reunião da comissão.
 
CR – Tem alguma relação com a ministra?
Botelho –
 Kátia é minha amiga, sou amigo do [deputado] Irajá Abreu [filho da ministra]. Tenho relação boa com ela. É uma coincidência o ministério da Kátia ficar com o PP e a comissão do Irajá ficar comigo. Coincidência boa. Mas vamos todos trabalhar juntos.
 
CR – Como vê situação de Kátia Abreu ter ficado ao lado da presidente Dilma Rousseff?
Botelho –
 Acho que referente à CNA [Confederação da Agricultura e Pecuária] isso para ela não foi bom. Porque muitos agricultores não gostaram, quase todos não gostaram. A recondução dela à CNA vai ser muito difícil.

CR – O apoio está basicamente na federação do Tocantins?
Botelho –
 Mesmo aqui ela vai ficar meio “queimada”. Porque as pessoas que dão suporte, davam suporte para ela, todas eram a favor do impeachment. E ela ficou defendendo [a presidente Dilma] até a última hora. Anteriormente, quem batia mais no PT era ela. Ela mudou pelo avesso.
 
CR – Tem algum palpite de nome para o Ministério da Agricultura?
Botelho –
 Tudo pode acontecer. O PP deve ficar com os ministérios da Saúde e da Agricultura. O nome está em segredo, o PP só quer manifestar esse nome quando já estiver oficializado. Temos nomes bons, como o deputado Luis Carlos Heinze (RS), é excelente, se for para escolher um parlamentar ele é bom. Para a Saúde, o deputado Ricardo Barros é um nome muito bom, um administrador. Ministro tem que ser um administrador.
 
CR – O que acha do nome de Blairo Maggi?
Botelho – 
Não vi falar disso. É um homem de muita experiência, bem sucedido na vida e isso é porque é um bom administrador. Ele é uma das grandes potências. Não posso falar se faria ou não bom trabalho à frente do ministério.
 
CR – Qual sua visão sobre o momento da política no Brasil?
Botelho –
 Conturbado. Está todo mundo na expectativa. O Brasil está parado. Acredito que todos os partidos que estão dando suporte ao impeachment vão ficar juntos para dar suporte ao novo presidente. Todo mundo vai dar um prazo bom a ele. A escolha dele de Henrique Meireles para voltar ao Ministério da Fazenda, para a área econômica de um modo geral, ele vai ser muito bom, inteligente, muito experiente e contando com o apoio do Congresso vai conseguir  realizar as medidas que vão ajudar o país.
 
CR – Acredita no novo governo?
Botelho –
 Jogo todas as cartas acreditando que ele [Temer] vai ter apoio político. A bagunça maior que está hoje é por falta de apoio político. E faltou administração a esse governo. Ela [Dilma] perdeu as rédeas. A equipe que está assessorando Michel Temer é de gente experiente, que passou por vários governos, sabem onde erraram e acertaram. Acredito que ele terá o crédito da população brasileira para dar uma melhorada e também terá o apoio do Congresso Nacional.
 
CR – E como fica a Câmara com o afastamento do presidente Eduardo Cunha? O que achou disso?
Botelho –
 Acho que com o afastamento vai ter uma calmaria, porque o assunto da oposição depois que a Dilma foi julgada na Câmara era o Cunha. Muitos aliados estão pedindo para ele renunciar para achar um nome de consenso em outra eleição para presidente para a Câmara trabalhar normalmente.
 
CR – Toda essa turbulência vai atrapalhar o trabalho das comissões?
Botelho –
 Este é um ano parado. As comissões deveriam ter começado a trabalhar em fevereiro. Vai ser um ano de pouco período para trabalhar. Tem férias e eleições. Mas eu vou entrar lá e vou ‘tocar o cacete’ para agilizar os projetos que forem entrando. Tem que acelerar, o ano vai ser a metade de um ano normal.
 
CR – Que aperfeiçoamento nas leis seria necessário para melhorar a vida do homem do campo?
Botelho –
 O homem do campo é um sofredor, trabalhador. É quem mais traz benefícios hoje para o Brasil e precisa de incentivo. Eu acho que tem que ter um seguro no caso do clima, das mudanças climáticas. Esse ano foi muito atípico. Precisa de uma garantia de um seguro para não quebrar, assim como é nos Estados Unidos, que tem uma cota grande do seguro que garante aos produtores rurais. Aqui é uma mixaria de dinheiro que coloca à disposição de uma cobertura. Precisava de avanço para ter mais garantias aos produtores. É uma disparidade. No Sul perderam lavoura por causa de chuva e na região Centro-Norte perdemos muita coisa por falta de chuva. Precisa de uma garantia para ter mais estabilidade para trabalhar. O produtor rural é a pessoa que não dá trabalho para o governo. Não precisa de ajuda de nada. Já estamos entre os grandes produtores do mundo. Nossa agropecuária tem mais de 200 milhões de reses, grãos, soja, cana-de-açúcar, algodão, laranja, em tudo isso o Brasil desponta. Tem muita gente de cabeça feita pensando o que é bom para o Brasil, estamos lá para dar apoio.

CR – Muitos projetos tentam barrar ou limitar o uso de defensivos agrícolas na agricultura brasileira. Qual sua visão sobre o uso de agrotóxicos no Brasil?
Botelho –
 Nós temos que ter balanceamento com relação ao meio ambiente. Ambientalistas não pensam em produtividade, só pensam no meio ambiente. Tem que unir útil ao agradável. Vamos cuidar do meio ambiente, mas também de matar a fome do povo. Eu acho que produtores têm que ter os defensivos, mas têm que zelar pela saúde das pessoas. Aquilo que for proibido, que for perigoso, tem que descobrir outras técnicas para poder organizar essa situação. Ninguém tem condição de produzir se não tiver o combate às pragas. O número de casos de câncer vem aumentando e um dos motivos maiores, nas alegações, é o uso de agrotóxicos. As empresas precisam desenvolver produtos menos nocivos.

CR – Precisa de mudança de atitude dos produtores no uso dos defensivos?
Botelho –
 Hoje temos que saber que a coisa mais importante da Terra são as pessoas. Não dá para pensar só em produtividade e não zelar pelas pessoas. Todo empresário quer ganhar dinheiro, mas tem que trabalhar dentro das normas.

CR – O que acha da questão indígena e dos conflitos agrários no país?
Botelho –
 Cada um tem que respeitar o que é lei, o que é o direito do outro. Se existe área indígena, ela tem que ser respeitada, agora não pode também ficar inventando área e criando índios sem existir. Tem demandas [de criação de reservas] onde nunca houve tribo e dizem que é área indígena, quilombola e inventam.

CR – O governo atual gera insegurança no país acelerando demarcações?
Botelho – 
A filantropia do governo atual é muito populista. Acho que o respeito tem que ter a todas as categorias.

CR – O produtor rural precisa de mais segurança?
Botelho –
 Tanto indígena que tem a sua área precisa como o produtor rural precisa. Tem que ter respeito ao direito adquirido. Sou contra invasão, sou contra isso tudo. Para o governo desapropriar uma área, precisa ter dinheiro para pagar o dono da área, antes de doar para os outros. Todo mundo tem que respeitar o direito de propriedade. Quem comprou é o legítimo dono. Como invadem e governo aceita? Isso não pode. Tem que ter segurança. Cada proprietário tem que ter certeza de que ele é quem manda na área dele. Ele paga seus impostos, cumpre seu dever de cidadão. Como uma pessoa chega e quer se apossar daquilo que é seu?

CR – Quer deixar alguma mensagem aos produtores brasileiros?
Botelho –
 Quero dizer aos produtores que dentro da possibilidade da Comissão de Agricultura faremos tudo dentro da lei para procurar trazer os benefícios para o setor. É uma área muito importante, útil ao Brasil, porque produz alimentação para toda a comunidade brasileira e o mundo. Merecem muito respeito todos os produtores brasileiros.